A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro anunciou sua saída da presidência do PL Mulher após uma reunião com Valdemar da Costa Neto, presidente nacional do PL, realizada na terça-feira, 30 de junho. A decisão de Michelle de se afastar do cargo é vista por alguns como uma ameaça de não concorrer ao Senado, uma ação considerada por membros da ala “bolsonarista raiz” do partido como uma estratégia de pressão. Ao longo do tempo, Michelle tem se esforçado para construir sua própria base política, apoiando candidaturas e parlamentares em diversas regiões do país, o que tem gerado desconforto entre os deputados do PL que buscam reeleição.
Michelle Bolsonaro, que possui forte conexão com o público evangélico devido ao seu domínio da gramática bíblica, se apresenta como uma figura central na articulação de votos nesse segmento. A expectativa é que os eleitores evangélicos, que costumam seguir as orientações de líderes religiosos, se sintam inclinados a apoiar os candidatos indicados por ela. Isso coloca os candidatos que não receberam o endosse de Michelle em uma posição de desvantagem nas eleições.
A ex-primeira-dama tem direcionado suas ações especialmente para o público feminino, um grupo que, historicamente, demonstra resistência ao bolsonarismo, muitas vezes percebendo comportamentos machistas dentro do movimento. Embora Michelle incentive a participação das mulheres na política, suas mensagens frequentemente reforçam a ideia de submissão ao patriarca da família, Jair Bolsonaro. Esse paradoxo tem gerado debates sobre sua estratégia, que aliados de Flávio Bolsonaro classificam como uma “submissão empoderada”, onde Michelle busca disputar poder dentro do partido, alegando estar cumprindo uma missão dada pelo “líder”.
Aliados de Flávio e Eduardo Bolsonaro, que se autodenominam “autênticos”, veem nas ações de Michelle uma tentativa de consolidar seu controle sobre o campo bolsonarista de olho nas eleições de 2030, caso Flávio não consiga vencer a disputa presidencial. O clima de tensão aumentou após a divulgação de vídeos em que Michelle relata ter sido maltratada e humilhada por Flávio. Em resposta, perfis ligados a Eduardo Bolsonaro, como o de Paulo Figueiredo, atacaram a ex-primeira-dama, insinuando que ela e a senadora Damares Alves seriam “feministas” e que o voto feminino tende a ser desfavorável.
Apesar de alguns bolsonaristas compartilharem essa visão, a forma como Figueiredo expressou suas opiniões foi considerada inadequada por outros membros do círculo de Flávio. O porta-voz também insinuou ter informações comprometedores sobre a relação de Michelle com Jair Bolsonaro, o que intensificou as disputas internas.
Em uma resposta enigmática, Michelle repostou um vídeo do ex-governador do Rio, Anthony Garotinho, que mostrava uma festa promovida por Daniel Vocaro, mencionando a participação de políticos proeminentes que defendem a família. A ex-primeira-dama acrescentou a legenda “a verdade de Jesus Cristo vai prevalecer”, sugerindo que possui informações não reveladas até o momento.
Embora as disputas entre Michelle e Flávio Bolsonaro continuem, há uma expectativa de que intervenções de aliados possam mitigar a crise, adiando um confronto que parece inevitável para depois das eleições. A situação permanece tensa, e a dinâmica de poder dentro do PL e entre os membros da família Bolsonaro se torna cada vez mais complexa.









