O Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF) votou por 3 a 0 para manter o procurador-geral da República, Paulo Gonet, responsável pelo caso envolvendo o Banco Master. Apesar da decisão favorável à permanência de Gonet na condução do processo, o colegiado permanece dividido em relação à designação de um subprocurador-geral para investigar possíveis fatos relacionados à atuação do procurador-geral. Enquanto alguns membros defendem uma apuração preliminar, outros, como o relator Francisco Sanseverino, entendem que não há elementos suficientes para instaurar uma investigação criminal neste momento.
A conselheira Janice Ascari votou a favor da realização de uma apuração preliminar, argumentando que, com base nos elementos disponíveis, não há motivos para abrir imediatamente um procedimento de investigação criminal contra Gonet. Ela destacou a necessidade de esclarecer certos fatos antes de tomar uma decisão definitiva, apontando que a investigação preliminar poderia fornecer informações mais precisas sobre o caso. Entre os pontos que ela considerou relevantes, estão as tratativas envolvendo Pedro Gonet, filho do procurador-geral, em um evento realizado em Londres, patrocinado pelo Banco Master. Ascari também mencionou uma ligação que teria ocorrido entre Gonet e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, além de mensagens que revelariam contatos entre ambos, o que poderia indicar uma linha de investigação mais aprofundada.
A conselheira defendeu que a nomeação de um subprocurador-geral para conduzir essa investigação inicial seria fundamental para reunir informações e avaliar se há indícios de vantagem indevida ou qualquer atendimento a pedido relacionado às funções de Gonet. Caso essa investigação preliminar não identifique elementos que apontem para irregularidades, o Conselho teria uma base mais sólida para arquivar o procedimento. Em contrapartida, se surgirem indícios de irregularidades, caberia ao membro designado instaurar uma investigação criminal ou adotar outras medidas legais cabíveis.
Por outro lado, o relator Francisco Sanseverino votou contra a designação de um subprocurador para a investigação. Sua posição baseia-se na avaliação de que os documentos apresentados até o momento não apresentam elementos mínimos que possam indicar autoria ou materialidade de crime atribuível a Gonet. Assim, ele entende que não há justificativa para abrir uma investigação neste momento, reforçando que o caso não possui provas concretas que sustentem uma apuração criminal contra o procurador-geral.
O debate no Conselho Superior do MPF reflete a complexidade da análise sobre a conduta de Gonet no caso do Banco Master, envolvendo questões de ética, legalidade e a necessidade de apuração rigorosa antes de qualquer ação mais severa. A decisão final, que mantém Gonet à frente do caso, demonstra a preferência por uma abordagem cautelosa, embora a divergência entre os membros do colegiado indique que o tema continuará sendo objeto de discussão e análise futura.









