O senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal, afirmou que o colegiado acompanha os desdobramentos da crise política no Paraguai após o anúncio da renúncia do presidente Santiago Peña. O parlamentar defendeu a preservação da estabilidade institucional no país vizinho e informou que pretende buscar, junto ao Ministério das Relações Exteriores, dados atualizados sobre as condições dos cerca de 270 mil brasileiros que vivem em território paraguaio.
A renúncia de Peña foi anunciada nesta quinta-feira (5), depois que partidos de oposição pediram a abertura de um processo de impeachment contra o presidente. A iniciativa ocorreu em um cenário de forte tensão política, agravado pelo colapso do banco digital paraguaio Ueno Bank. O episódio financeiro ampliou os questionamentos da oposição e contribuiu para a pressão pela saída do chefe do Executivo.
Para Nelsinho Trad, a prioridade neste momento é que as instituições paraguaias apresentem uma resposta capaz de restabelecer a normalidade política e institucional. O senador afirmou que o Senado brasileiro acompanha a crise com atenção e espera uma solução rápida, que preserve a segurança da população, a continuidade das instituições e a estabilidade do país.
Na avaliação do parlamentar, os acontecimentos no Paraguai exigem acompanhamento por parte do Brasil porque podem produzir reflexos diretos sobre a comunidade brasileira residente no país e sobre a relação entre os dois governos. A Comissão de Relações Exteriores deverá consultar o Itamaraty para obter informações sobre eventuais impactos da crise para esses cidadãos.
Fronteira reforça atenção de Mato Grosso do Sul
A preocupação é ainda maior para Mato Grosso do Sul, estado de Nelsinho Trad que possui uma extensa fronteira com o Paraguai. A proximidade territorial faz com que decisões políticas e institucionais tomadas no país vizinho tenham importância direta para temas como segurança, circulação de pessoas e cooperação entre as duas nações.
O senador também destacou a Rota Bioceânica entre os projetos estratégicos relacionados à parceria entre Brasil e Paraguai. A iniciativa foi citada como exemplo de uma agenda bilateral que depende de coordenação entre os países e de um ambiente institucional estável para avançar. Segundo Nelsinho, períodos de instabilidade podem afetar iniciativas que exigem cooperação contínua e previsibilidade nas relações diplomáticas.
O presidente da comissão ressaltou, porém, que o Brasil reconhece a soberania paraguaia e respeita as instituições daquele país. De acordo com ele, a atuação do colegiado não tem o objetivo de interferir na política interna do Paraguai, mas de acompanhar os fatos que possam atingir interesses brasileiros e preservar os vínculos de cooperação existentes.
Além de monitorar a situação dos brasileiros que vivem no Paraguai, a comissão deverá avaliar possíveis consequências da crise para as relações bilaterais. O acompanhamento envolve tanto a segurança da comunidade brasileira quanto a manutenção dos canais de diálogo entre os dois países, especialmente em uma região marcada pela integração da fronteira e por projetos de interesse comum.
Em uma manifestação publicada nas redes sociais, Santiago Peña justificou a decisão de deixar a Presidência como uma medida voltada à busca de estabilidade, à preservação da paz social e à proteção das instituições democráticas paraguaias. O presidente declarou estar convencido de que nenhum cargo deve se sobrepor ao bem-estar do Paraguai.
Enquanto as instituições paraguaias conduzem os próximos passos da crise, o Senado brasileiro pretende manter o acompanhamento dos acontecimentos e obter informações oficiais sobre a situação da população brasileira no país. A expectativa expressa por Nelsinho Trad é de que a solução seja construída de forma rápida, respeitando a ordem institucional e evitando prejuízos à cooperação entre Brasil e Paraguai.








