O atual governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), tentará a recondução ao governo mineiro levando o peso de ser incumbente e de contar com o apoio de Romeu Zema (Novo), que chegou ao poder em Minas ao vencer as duas últimas disputas eleitorais. Embora o conjunto de credenciais do governante seja relevante, o desafio central refere-se à dificuldade já observada de transferir votos de Zema para aliados, um entrave que também marcou a trajetória de seus antecessores no cargo. Abaixo, o panorama histórico que orienta o cenário político sob a influência de Zema.
Zema chegou ao governo de Minas pela primeira vez em 2018, numa vitória que surpreendeu o cenário político ao derrotar o então governador Fernando Pimentel (PL) e o ex-governador Antônio Anastasia (então no PSDB). A vitória abriu caminho para um novo ciclo político no estado, com o Novo ampliando, naquele ano, a presença no Legislativo. Em 2020, já como chefe do Executivo, Zema atuou de forma mais contida nas eleições municipais, mantendo um ritmo moderado no apoio a candidaturas proporcionais de espaço menos expressivo.
O ciclo vitorioso de Zema ganhou fôlego novamente em 2022, quando foi reeleito no primeiro turno, ao obter uma vantagem de 2,2 milhões de votos sobre o segundo colocado, Alexandre Kalil (PSD), numa disputa que manteve a dobradinha com Marcelo Aro (PP) na campanha para o Senado. Apesar da empate estratégico entre as lideranças, a candidatura de Aro não logrou êxito, o que evidenciou limites na transferência de capital político do governador para candidatos da mesma base. A vitória de Zema consolidou o Novo como importante força no estado, fortalecendo a percepção de que o entorno do governador poderia, sim, influenciar resultados eleitorais em diferentes cargos.
Trajetória do Novo e o papel de Zema em Minas
Após a recondução, Zema anunciou que coordenaria o braço mineiro da campanha do então presidente Jair Bolsonaro (PL). Nessa esteira, Lula da Silva (PT) acabou vencendo a eleição presidencial com votação expressiva em Minas Gerais, o que aponta a existência de volatilidade de apoios entre as diferentes esferas e cargos, mesmo com a presença de governadores com forte capilaridade regional.
Nas eleições municipais de 2024, a atuação de Zema continuou com ações distintas: apoiou Mauro Tramonte (Republicanos) no primeiro turno, e, no segundo turno, apoiou Bruno Engler (PL). Ambos não obtiveram sucesso na disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte. Em outras palavras, a soma de apoios do governador não garantiu, nesses pleitos, vitórias diretas nas principais cidades do estado.
Entre os êxitos regionais do governo Zema, destacam-se as atuações nos grandes municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Em Betim, o governador apoiou Heron Guimarães (União Brasil), que obteve sucesso na eleição municipal, enquanto em Contagem Zema apoiou o deputado federal Junio Amaral (PL), que acabou derrotado por Marília Campos (PT). Esses resultados reforçam a leitura de que o capital político de Zema pode ter efeito variável conforme o contexto municipal e a composição de alianças locais.
No âmbito partidário, o Novo teve, em 2018, avanços relevantes na eleição legislativa estadual: foram eleitos dois deputados federais, Tiago Mitraud e Lucas Gonzalez, além de representantes na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) com Laura Serrano, Bartô e Guilherme da Cunha. Em 2022, o cenário foi distinto: Zema foi reeleito, mas o Novo não conquistou nenhum deputado federal por Minas. A bancada estadual foi ampliada com a eleição de dois deputados: Dr. Maurício e Zé Laviola.
Essa soma de resultados ajuda a compreender o desafio atual de Mateus Simões. Embora tenha o benefício de governar e de ostentar o suporte de uma liderança de peso, a experiência recente sugere que transformar esse apoio em votos diretos para o seu palanque pode exigir condições políticas, administrativas e eleitorais que vão além da mera indicação de alianças. A avaliação sobre a capacidade de converter o respaldo de Zema em votos para a reeleição de Simões, sobretudo em um contexto em que o voto mineiro mostrou, repetidamente, sensibilidade a fatores locais e ao desempenho das candidaturas, permanece como um ponto central do planejamento de campanha do PSD.
Em síntese, o cenário para a reeleição de Mateus Simões está ancorado na percepção pública do desempenho de sua gestão, na qualidade da relação institucional com Zema e na capacidade de traduzir esse vínculo em apoio concreto para as candidaturas da federação aliadas. A partir dessas variáveis, o pleito mineiro tende a revelar como a força de alianças nacionais se traduz em votos efetivos nas urnas, tanto para o governo estadual quanto para a composição legislativa.





