A eleitora Maria Cecília afirmou que não conseguiu votar no segundo turno das Eleições 2026, realizado neste domingo (25), após viajar de Ilhéus, na Bahia, para Belo Horizonte. Segundo ela, o atraso de 40 minutos no voo impediu sua chegada a tempo à Escola Barão do Rio Branco, no bairro Funcionários, na Região Centro-Sul da capital mineira. “Em uma eleição tão acirrada, todo voto faz diferença. A gente fica muito chateado”, disse à reportagem da Itatiaia.
O segundo turno define o próximo presidente da República. Embora o horário de votação em todo o país tenha sido prorrogado até as 19h pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a extensão não se aplicou indistintamente a todas as seções eleitorais. A medida valeu apenas para as urnas que continuaram abertas depois das 17h, horário originalmente estabelecido para o encerramento da votação.
Maria Cecília contou que o voo saiu de Ilhéus com atraso de 40 minutos e pousou em Belo Horizonte pouco antes das 17h. “Nosso voo atrasou 40 minutos, e a gente chegou um pouco antes das cinco horas no aeroporto. Viemos direto de táxi, para poder entrar pela [faixa de] acesso livre, mas não deu tempo”, relatou.
De acordo com a eleitora, ao chegar à Escola Barão do Rio Branco, os portões já estavam fechados. Ela afirmou que não encontrou pessoas no local para prestar esclarecimentos ou orientar os eleitores sobre a situação. “Vamos ver quais vão ser as consequências jurídicas, no âmbito eleitoral. Chegamos e já estava tudo fechado, não tinha ninguém nem para conversar”, declarou.
STF determinou extensão do horário de votação
A decisão de ampliar o período de votação foi tomada pelo ministro Cristiano Zanin, do STF, após denúncias apresentadas pelas campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL). As duas campanhas relataram problemas que poderiam dificultar o deslocamento de eleitores até os locais de votação.
Segundo o partido, em alguns municípios não havia frota suficiente no transporte público para atender à demanda e permitir que os eleitores chegassem às seções eleitorais. Zanin classificou a situação como grave e destacou que os pedidos foram encaminhados ao Supremo às 16h32, quando faltavam 28 minutos para o horário originalmente previsto para o encerramento da votação.
Na decisão, o ministro determinou a prorrogação por duas horas, até as 19h, no horário de Brasília, do recebimento de votos em todas as seções eleitorais do país. A execução da medida ficou sob responsabilidade do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Posteriormente, Zanin esclareceu que a determinação deveria ser aplicada somente às urnas que ainda não haviam sido fechadas. Isso ocorreu porque a decisão foi proferida depois das 17h, limite inicialmente fixado para o fim da votação. Mesmo com o encerramento oficial do pleito, algumas seções poderiam permanecer abertas caso ainda houvesse eleitores aguardando na fila.
Campanhas relataram problemas em diferentes estados
O PT afirmou que empresários e prefeituras teriam retido ônibus em diversas cidades durante a manhã da votação. As denúncias mencionaram especialmente Salvador e São Paulo, capitais onde Lula havia vencido no primeiro turno. Também foram citados problemas no Piauí, na Paraíba, no Paraná, no Pará, no Rio de Janeiro, em Alagoas, em Pernambuco e em Roraima.
Já o PL, partido de Flávio Bolsonaro, relatou dificuldades provocadas por condições climáticas adversas. As queixas envolveram municípios de Minas Gerais, de São Paulo e de todos os estados da Região Sul do país, onde foram registradas tempestades durante o período de votação.
No caso de Maria Cecília, o atraso no voo e o deslocamento entre o aeroporto e o local de votação fizeram com que ela chegasse após o fechamento dos portões. O relato ocorreu em meio à discussão sobre os efeitos jurídicos e eleitorais da extensão do horário determinada pelo STF.






