O empresário João Carlos Mansur, fundador e ex-dono da Reag Investimentos, revelou em acordo de delação premiada firmado com a Procuradoria-Geral da República (PGR) que recursos administrados pela sua empresa teriam sido utilizados para ocultar pagamentos de propina feitos por Daniel Vorcaro a autoridades públicas. As investigações já indicavam a existência de operações suspeitas envolvendo fundos geridos pela Reag, e a colaboração busca aprofundar a compreensão sobre o suposto esquema de retirada de recursos do Banco Master e seu direcionamento ao patrimônio de Vorcaro ou ao pagamento de vantagens indevidas.
Durante o depoimento, Mansur detalhou aos investigadores como fundos sob sua gestão teriam sido empregados em operações relacionadas ao Banco Master, além de identificar pessoas que atuariam como laranjas do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Ele também explicou os mecanismos utilizados para movimentar e esconder esses recursos, contribuindo para esclarecer o percurso do dinheiro no esquema criminoso. Essas informações foram divulgadas pelo jornalista José Marques, da Folha de S.Paulo, na quarta-feira, dia 9 de outubro.
A delação de Mansur trouxe à tona detalhes sobre o caminho percorrido pelo dinheiro, incluindo a localização de parte dos recursos que teriam sido enviados para fora do Brasil. As investigações já apontavam que uma parcela significativa dos valores relacionados ao esquema teria sido transferida para offshores, empresas registradas no exterior, o que dificultava o rastreamento e recuperação dos ativos. Essas informações podem facilitar a recuperação do dinheiro enviado para outros países, contribuindo para ações de repatriação e devolução de recursos ilícitos.
No âmbito do acordo de colaboração, Mansur comprometeu-se a pagar uma multa de R$ 40 milhões, além de fornecer informações que possam auxiliar na investigação e na recuperação de ativos. Entre julho de 2023 e julho de 2024, o Banco Central identificou operações consideradas irregulares envolvendo o Banco Master e fundos administrados pela Reag Trust, reforçando o contexto de irregularidades financeiras envolvendo a empresa.
Mansur atuou na Reag até 2025, quando precisou deixar a presidência do Conselho de Administração, em meio à crise desencadeada pela Operação Carbono Oculto. Além disso, foi alvo de buscas na segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes e irregularidades financeiras relacionadas ao banco e seus fundos.
Apesar de o acordo de delação ter sido firmado com a PGR, sua homologação depende do aval do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que já recebeu o documento para análise. Essa etapa é fundamental para assegurar que o acordo atenda aos requisitos legais e que as informações fornecidas possam ser utilizadas para o avanço das investigações. O pacto de colaboração, assinado pela PGR no início deste mês, reúne ao menos 17 temas de investigação, tendo Daniel Vorcaro como principal alvo. A Polícia Federal participou das negociações iniciais, porém, as tratativas não avançaram na corporação.
A colaboração de Mansur representa uma peça-chave no desdobramento das investigações, que visam esclarecer a extensão do esquema de corrupção envolvendo fundos do Banco Master, operadores financeiros e autoridades públicas, além de possibilitar a recuperação de recursos desviados.









