Durante um comício realizado nesta quinta-feira, 11 de outubro, em Manaus, no estado do Amazonas, o candidato à Presidência da República pelo Partido Liberal (PL), Flávio Bolsonaro, utilizou um discurso contundente ao criticar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Em um tom mais agressivo do que o habitual, o senador e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro chamou Moraes de “laranja podre” do STF, afirmando que pretende “resgatar” a imagem da corte caso seja eleito presidente.
Flávio Bolsonaro afirmou que seu governo terá como prioridade a recuperação da credibilidade das instituições brasileiras, incluindo o STF. Segundo ele, sua gestão será marcada por uma postura de proteção às instituições democráticas, mas também de combate a figuras que, na sua avaliação, prejudicam a imagem do tribunal. “Vamos colocar as coisas no lugar aqui no Brasil porque eu vou ser o presidente da República que vai olhar pra frente. Eu vou resgatar as instituições, eu vou proteger o STF de pessoas como Alexandre de Moraes. A laranja podre não pode contaminar toda aquela Corte”, declarou o candidato, sem especificar se sua crítica se refere a ações ou decisões do ministro em particular.
A declaração de Flávio Bolsonaro ocorre em um momento de crescente tensão política envolvendo o STF, especialmente no contexto de investigações e processos que envolvem membros do núcleo político do ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador está na lista de investigados de um inquérito aberto pela Polícia Federal, que apura possíveis crimes relacionados ao levantamento de recursos para financiar a produção do filme “Dark Horse”. A produção cinematográfica é uma homenagem à trajetória política de Jair Bolsonaro, e o inquérito busca esclarecer eventuais irregularidades envolvendo financiamento e recursos utilizados na sua realização.
A revelação de que Flávio Bolsonaro está na relação de investigados veio a público nesta sexta-feira, após o ministro André Mendonça, do STF, determinar a retirada do sigilo do processo. A decisão foi tomada por ordem do presidente da Corte, ministro Edson Fachin, que autorizou a divulgação do conteúdo do inquérito, ampliando o conhecimento público sobre o caso. A investigação, que tramita sob sigilo até então, agora passa a ser de conhecimento público, o que aumenta o impacto político das ações envolvendo o senador.
A postura de Flávio Bolsonaro, incluindo a referência ao ministro Moraes como “laranja podre”, reflete o clima de polarização política e judicial que tem marcado o cenário brasileiro nos últimos anos. A relação entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário permanece tensa, especialmente em momentos de investigações que envolvem figuras públicas de destaque. A declaração do candidato também evidencia o esforço de Bolsonaro e seus aliados em reforçar a narrativa de que há uma tentativa de judicialização da política e de ataques às suas figuras de referência.
A controvérsia envolvendo ministros do STF, incluindo Alexandre de Moraes, é uma constante no debate político nacional, e manifestações como a de Flávio Bolsonaro tendem a ampliar esse conflito. A fala do senador, ao classificar Moraes de “laranja podre”, busca não apenas criticar o ministro, mas também reforçar a narrativa de que há uma tentativa de deslegitimar o tribunal e seus integrantes, numa estratégia que tem sido comum entre setores ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.








