O procurador-geral da República, Paulo Gonet, reforçou neste sábado, 12 de outubro, o pedido para que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, disponibilize integralmente aos demais integrantes da Corte o conteúdo das mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A solicitação busca garantir que todos os ministros tenham acesso às mesmas informações antes de deliberarem sobre o caso, considerado de particular relevância e complexidade.
De acordo com Gonet, o acesso completo às mensagens é fundamental para que os ministros possam formar um juízo de valor fundamentado, evitando assim decisões baseadas em informações parciais ou incompletas. Ele destacou que, especialmente devido às particularidades do processo, a transparência total dos dados é essencial para assegurar a equidade e a colegialidade no julgamento.
Na sexta-feira, 11 de outubro, o presidente do STF, Edson Fachin, solicitou oficialmente a disponibilização integral das mensagens de Vorcaro, que foram extraídas pela Polícia Federal durante as investigações. Em resposta, Mendonça informou que não possuía o celular do banqueiro e que os dados extraídos permaneciam em um envelope lacrado no seu gabinete, indicando que ainda não havia liberado o acesso ao conteúdo completo das mensagens.
Horas após essa manifestação, Mendonça tornou públicas algumas partes da investigação que estavam sob sigilo, porém, manteve o bloqueio ao acesso às mensagens do celular de Vorcaro, o que gerou questionamentos e pedidos de maior transparência por parte de outros ministros do STF.
O pedido de Gonet também foi motivado por um novo requerimento do ministro Gilmar Mendes, que argumentou que manter as informações sob sigilo não condiz com as regras e a prática de julgamento na Corte. Mendes enfatizou a necessidade de que todos os ministros tenham acesso às informações relevantes antes do julgamento, reforçando que o acesso desigual compromete a paridade entre os integrantes da Corte e pode afetar a colegialidade do colegiado.
Além de Gonet, o vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateubriand Filho, e os subprocuradores-gerais André Carvalho Ramos e Antônio Edílio Magalhães Teixeira assinaram o documento que formaliza o pedido. Este último, inclusive, recebeu autorização de Gonet para se manifestar nos processos relacionados ao caso, reforçando a unidade na busca por transparência e acesso às informações essenciais ao julgamento.
A disputa pelo acesso às mensagens do celular de Vorcaro evidencia a complexidade e a sensibilidade do caso, que envolve investigações de possíveis irregularidades e o papel do STF na condução de processos de alta relevância. A decisão final sobre a liberação do conteúdo, portanto, permanece como uma questão central no andamento do procedimento judicial e na garantia do princípio da transparência no âmbito do Judiciário.






