O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta terça-feira, 8 de novembro, afastar preventivamente do cargo o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em mais uma medida que intensifica a crise institucional envolvendo o tribunal. A decisão também atingiu o delegado Leandro Almada, que ocupa o cargo de diretor de Inteligência Policial da Polícia Federal, além de ordenar a suspensão da elaboração, produção e compartilhamento de relatórios de inteligência relacionados às investigações em andamento.
A medida de Mendonça visa assegurar que ministros do STF, o advogado-geral da União, Jorge Messias, e servidores da Polícia Federal possam exercer suas funções sem sofrer constrangimentos ilegais, segundo suas próprias palavras. A decisão ocorre no contexto das investigações envolvendo os casos Banco Master e INSS, que estão sob relatoria do próprio Mendonça no tribunal, e representam uma escalada na disputa interna do Supremo.
A decisão de afastar os dirigentes da Polícia Federal foi fundamentada pelo ministro na necessidade de evitar que as prerrogativas funcionais dos servidores possam ser utilizadas para comprometer a coleta de provas, dificultar a atuação de órgãos de investigação ou interferir nos procedimentos administrativos relacionados às investigações. Mendonça argumentou que a suspensão cautelar de funções públicas é admissível quando há elementos concretos que justifiquem a medida, além de ser proporcional ao risco identificado.
A controvérsia ganhou maior intensidade após o ministro Alexandre de Moraes utilizar relatórios de inteligência da Polícia Federal para questionar a conduta de Mendonça nos processos relacionados ao Banco Master e ao INSS. Moraes chegou a acusar o colega de possíveis crimes de abuso de autoridade, crime de responsabilidade e improbidade administrativa, em decorrência do uso desses documentos. Os relatórios, que somam cerca de 200 páginas, contêm referências ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e foram extraídos do celular de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Segundo informações divulgadas, os documentos não possuem autoria identificada, não trazem o brasão da República e não seguem a padronização prevista na Doutrina Nacional de Inteligência de Segurança Pública, o que levanta dúvidas sobre sua validade e confiabilidade. A disputa entre os ministros também envolve o partido Novo, que apresentou ao ministro Mendonça um pedido de medidas para preservar a integridade das investigações, incluindo a solicitação de prisão de Andrei Rodrigues. No entanto, Mendonça optou pelo afastamento preventivo, não pela prisão, como forma de garantir a continuidade das apurações sem comprometer a independência dos órgãos envolvidos.
A decisão de Mendonça amplia o conflito entre o STF e a cúpula da Polícia Federal, num momento em que há divergências internas sobre a condução das investigações relativas ao esquema de fraudes no INSS e ao Banco Master. O episódio também aumenta a pressão sobre o presidente do STF, Edson Fachin, que tem sido chamado a atuar para conter a crise e assegurar a estabilidade institucional da Corte. A situação evidencia o acirramento das disputas internas no tribunal e o impacto dessas tensões na credibilidade das investigações em andamento.









