Aliados do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), revelaram à CNN Brasil que ele demonstrou surpresa com o pedido feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR) para que o inquérito que investiga o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, seja transferido para a Justiça de primeira instância. A informação foi apurada pelo blog de Caio Junqueira.
De acordo com as fontes, o principal motivo alegado por Mendonça para questionar a solicitação da PGR é o fato de que a própria Polícia Federal (PF) protocolou o pedido de investigação diretamente no STF, indicando que os próprios investigadores entenderam que o caso deveria ser analisado pela Corte. Essa postura ocorre em um contexto de tensões entre o ministro André Mendonça e a cúpula da Polícia Federal, que tem sido marcada por divergências acerca do andamento de investigações envolvendo o governo e aliados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Outro ponto relevante destacado pelos aliados do ministro é que o procedimento foi realizado enquanto o ministro Alexandre de Moraes ocupava a presidência interina do STF. Na ocasião, Moraes solicitou que a PGR se manifestasse sobre o pedido de transferência, porém, em nenhum momento, ele próprio avaliou que o processo deveria ser enviado à primeira instância. Assim, a decisão de manter os inquéritos sob a jurisdição do Supremo foi tomada sem uma avaliação direta do relator ou do presidente interino na época.
A defesa de Lulinha acompanha de perto as investigações e tem realizado reuniões com o ministro da Justiça para discutir o andamento do caso. Além disso, há uma contestação por parte do entorno de Mendonça em relação à alegação de que vazamentos de informações sobre as investigações seriam provenientes do STF. Eles afirmam que essa hipótese pode ser facilmente desmentida pela cadeia de custódia dos dados, ressaltando que não há interesse algum em promover vazamentos, pois isso poderia resultar na anulação das investigações ou na retirada de processos do gabinete do ministro. Tal postura, segundo os aliados, evidencia a intenção de manter a integridade do procedimento.
Por fim, o entorno do ministro Mendonça também destacou que a exoneração do ex-chefe de gabinete do presidente Lula, Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola, ocorreu após o governo ter tomado conhecimento de acusações contra ele. Segundo essa versão, o governo recebeu essa informação por um canal que não passou pelo STF, indicando uma tentativa de minimizar a crise entre o Executivo e o Judiciário. Essa movimentação, segundo os interlocutores, reforça a narrativa de que há uma tentativa de evitar que as investigações envolvendo Lulinha sejam utilizadas em disputas políticas ou midiáticas.









