O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu neste sábado (11) pela apreensão do passaporte do publicitário Thiago Miranda, que possui vínculos com o banqueiro Daniel Vorcaro. Miranda é proprietário de uma agência que, segundo investigações, teria contratado influenciadores para realizar ataques ao Banco Central e ações contra jornalistas. A informação foi inicialmente divulgada pelo site Metrópoles e posteriormente confirmada pelo Estadão.
Thiago Miranda, ex-sócio do jornalista Leo Dias, foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) na última quinta-feira (9), que identificou um risco concreto de que ele pudesse deixar o país. As investigações indicam que Miranda atuava como intermediário entre Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e influenciadores que atacaram o BC após a liquidação da instituição financeira.
A defesa de Miranda refutou as acusações de ilegalidade. Em uma rede social, o deputado Lindbergh Farias celebrou a decisão do ministro Mendonça, afirmando que havia solicitado a imposição de medidas cautelares contra o publicitário, incluindo a apreensão do passaporte e a proibição de deixar o país. Farias destacou que a PF também identificou o risco de fuga e pediu a retenção do documento.
O publicitário é conhecido por ter apresentado o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, a Vorcaro no final de 2024, além de ter intercedido nos pagamentos do banqueiro a um fundo nos Estados Unidos, que seria destinado ao patrocínio de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Conversas obtidas pela PF no celular de Miranda, que foram reveladas em maio pelo site Intercept Brasil e confirmadas pelo Estadão, mostraram que o publicitário facilitou encontros entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, além de cobrar do banqueiro pagamentos que estavam atrasados. Esses diálogos foram obtidos pela PF através do celular apreendido de Vorcaro.
Pessoas próximas a Miranda afirmaram que ele já mantinha uma relação próxima com Flávio Bolsonaro há bastante tempo, e que conheceu Vorcaro mais recentemente, durante negociações para a venda de sua participação no portal Léo Dias, do qual era sócio.
A defesa de Thiago Miranda, representada pelo advogado Rafael Martins, emitiu uma nota negando qualquer envolvimento em atividades ilegais. No comunicado, a defesa enfatizou que Miranda sempre pautou sua atuação profissional pela legalidade e transparência, e que não participou de atos destinados a intimidar ou violar direitos de terceiros. A nota também ressalta que a existência de uma investigação não implica culpa prévia e que Miranda está disponível para colaborar com as autoridades na apuração dos fatos.
A defesa se comprometeu a acompanhar todos os atos do processo e a tomar as medidas jurídicas necessárias para garantir que a investigação aconteça de maneira justa, respeitando as garantias legais e evitando conclusões precipitadas.
Com informações da Agência Estado.








