A Organização das Nações Unidas Mulheres (ONU Mulheres) divulgou uma série de 10 recomendações voltadas a candidatos e candidatas às eleições no Brasil, com o objetivo de combater as desigualdades de gênero no país. Em uma carta aberta, a instituição destacou que as medidas propostas visam assegurar que a democracia brasileira reflita de fato a composição da sua população, promovendo maior representatividade e equidade entre os gêneros.
As recomendações abrangem diversas áreas essenciais para a promoção da igualdade de gênero, incluindo participação política, disputa eleitoral em condições iguais, combate à violência política, garantia de uma vida livre de violência, além de questões relacionadas a cuidado, renda e mudanças climáticas. A iniciativa busca estimular os candidatos a adotarem políticas públicas e ações concretas que possam contribuir para a redução das disparidades de gênero no cenário eleitoral e na sociedade como um todo.
Dentre os dados apresentados na carta, destaca-se que as mulheres dedicam, em média, 21,3 horas semanais às tarefas domésticas e ao cuidado de pessoas, enquanto os homens dedicam aproximadamente 11,7 horas nesse mesmo contexto. Essa disparidade evidencia a sobrecarga de tarefas não remuneradas que recai predominantemente sobre as mulheres, reforçando a desigualdade estrutural de gênero. Além disso, a diferença salarial entre homens e mulheres no mercado de trabalho é de 21%, com as mulheres ganhando, em média, esse percentual a menos do que os homens, o que evidencia uma desigualdade econômica persistente.
Outro dado alarmante mencionado na proposta refere-se à violência de gênero, com o número de feminicídios atingindo 1.571 registros apenas em 2025. Essa estatística reforça a urgência de ações efetivas para combater a violência contra a mulher, um problema que persiste como uma das maiores violações de direitos no país.
A iniciativa da ONU Mulheres ocorre em um momento em que o Brasil enfrenta debates intensos sobre representação feminina na política e na sociedade. A proposta busca influenciar o processo eleitoral, incentivando candidatos a adotarem uma postura mais inclusiva e comprometida com a equidade de gênero. A expectativa é que, ao implementar essas recomendações, o cenário político e social do país possa avançar na direção de uma sociedade mais justa, igualitária e livre de desigualdades de gênero.








