O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), expressou preocupação acerca da possível utilização indevida de recursos destinados à Secretaria de Estado de Governo, após anunciar o rompimento com o grupo político ligado ao ex-secretário Marcelo Aro (PP). Em entrevista concedida à Itatiaia, Simões afirmou que irá investigar detalhadamente a aplicação das verbas, especialmente diante do anúncio de sua saída do grupo político de Aro nesta quinta-feira, 30 de novembro.
Simões destacou que a Secretaria de Governo administra aproximadamente R$ 2 bilhões em emendas impositivas, além de quase outros R$ 2 bilhões em repasses diretos para os municípios. Segundo o governador, essa gestão de recursos deve sempre priorizar o atendimento às necessidades das prefeituras, reforçando que a administração pública deve ser conduzida com transparência e foco no benefício coletivo. No entanto, a recente ruptura com o grupo de Aro levantou suspeitas de que esses recursos possam ter sido utilizados para fins diversos do que o previsto inicialmente.
O governador afirmou que, diante do rompimento, será necessário verificar se houve alguma conduta irregular na destinação das verbas. Ele ressaltou que, até o momento, as informações indicam que os repasses foram feitos de forma regular, mas reforçou que não se pode admitir qualquer vínculo entre a liberação de recursos e o apoio político de prefeitos ou outros atores políticos, considerando que tal conduta configura crime.
Simões também criticou a postura de Marcelo Aro, que, segundo ele, ao articular sua própria candidatura ao Governo de Minas, teria traído o ex-governador Romeu Zema (Novo). O governador afirmou que Aro, ao parasitar a gestão estadual para promover um projeto pessoal, comprometeu a integridade do grupo político e a transparência na administração pública.
A relação entre Simões e Aro começou a se deteriorar em abril deste ano, quando o senador Carlos Viana, também filiado ao PSD e candidato à reeleição, se filiou ao partido, tornando-se mais um concorrente na disputa ao Senado. Essa mudança gerou insatisfação de Aro, que manifestou seu descontentamento com o movimento, além de ampliar sua influência política em diversos municípios do estado por meio de um grupo numeroso de deputados e vereadores.
Nos últimos meses, Marcelo Aro vem articulando sua candidatura ao Governo de Minas, o que coloca em disputa direta com a candidatura de Simões. Além disso, sua movimentação política pode interferir nos planos do Partido Liberal (PL) e do Republicanos, que ainda avaliam lançar o senador Cleitinho Azevedo na disputa pelo Palácio Tiradentes.
A reportagem entrou em contato com Marcelo Aro para obter sua posição sobre as declarações de Simões, permanecendo o espaço aberto para uma resposta do ex-secretário de Governo. A situação revela uma disputa política acirrada e o esforço de ambos os lados em consolidar suas bases de apoio em um momento crucial do cenário eleitoral estadual.









