Nesta quarta-feira, 9 de outubro, os superintendentes regionais da Polícia Federal emitiram uma nota oficial de apoio ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e ao diretor de Inteligência, Leandro Almada, em meio a um momento de tensão entre a Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal (STF). A manifestação ocorre em um contexto de instabilidade institucional, após uma série de decisões e ações que envolveram figuras do Poder Judiciário e a direção da Polícia Federal, colocando em evidência uma disputa de interesses e a autonomia da instituição.
A nota de apoio foi divulgada no mesmo dia em que o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, determinou a reintegração de Rodrigues e Almada aos seus cargos. Ambos haviam sido afastados na terça-feira, 8 de outubro, por uma decisão do ministro André Mendonça, do STF. A medida de Mendonça foi questionada por Dino, que, na sequência, revogou o afastamento e ordenou o retorno dos dirigentes à sua função, decisão que ainda será submetida ao plenário do Supremo para confirmação definitiva.
No documento, os superintendentes das unidades da Polícia Federal nos estados e no Distrito Federal afirmam que Rodrigues e Almada possuem “respeito, confiança e irrestrita solidariedade” da instituição. Ressaltam ainda que a Polícia Federal é uma entidade de Estado, com caráter permanente, cuja atuação deve permanecer isenta de interesses políticos ou eleitorais, reforçando que sua autonomia é fundamental para a credibilidade e eficácia de suas operações.
A nota também faz uma forte crítica às acusações dirigidas aos dirigentes da corporação, que os signatários consideram infundadas. Os superintendentes destacam que não é admissível que denúncias sem fundamentos sejam utilizadas para prejudicar a honra dos dirigentes e, por consequência, afetar a credibilidade da Polícia Federal como um todo. Eles reforçam o compromisso da instituição com a legalidade e a autonomia, defendendo que qualquer tentativa de interferência externa que comprometa esses princípios deve ser repelida com firmeza.
A manifestação ocorre em um momento de escalada na disputa envolvendo o ministro André Mendonça, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e a direção da Polícia Federal. Mendonça afastou Rodrigues e Almada após questionar a atuação da corporação em relatórios de inteligência relacionados a investigações que envolvem o próprio ministro. Em resposta, Flávio Dino anulou o afastamento, argumentando que a medida prejudicava investigações em andamento e comprometia a autonomia institucional da Polícia Federal.
Antes da decisão de Dino, 11 dos 13 diretores da Polícia Federal haviam colocado seus cargos à disposição em solidariedade a Rodrigues e Almada, demonstrando o apoio interno à gestão de ambos. Ao final, os superintendentes reafirmaram a confiança na direção de Rodrigues e reconheceram que as condições para o funcionamento adequado da Polícia Federal foram restabelecidas, reforçando o compromisso da instituição com sua autonomia e suas atribuições legais.









