O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), deve escolher o ex-ministro Ricardo Salles (Novo) para assumir a Secretaria da Justiça e Cidadania do estado. A possível nomeação faz parte da montagem de uma equipe que deverá ampliar a presença de quadros políticos no governo, sem abandonar o perfil técnico associado à gestão estadual. A composição também ocorre em meio às articulações para uma eventual candidatura de Tarcísio à Presidência da República em 2030.
A indicação de Salles é analisada dentro de um contexto político que envolve a relação entre o ex-ministro e o grupo liderado pelo governador. Em 2022, Salles abriu mão de disputar uma vaga no Senado. A decisão foi considerada estratégica por integrantes da direita, que avaliavam que sua candidatura poderia fragmentar os votos do campo conservador e dificultar a eleição de outros nomes alinhados ao mesmo espectro político.
Naquele processo eleitoral, Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) estavam entre os candidatos que poderiam ser favorecidos pela retirada de Salles da disputa. A avaliação feita por aliados era de que uma candidatura do ex-ministro poderia provocar a dispersão do eleitorado de direita e, com isso, beneficiar nomes identificados com a esquerda, como Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB).
Ricardo Salles anunciou a desistência em setembro de 2022. Na época, tanto ele quanto Tarcísio de Freitas negaram a existência de um acordo ou de uma promessa de cargo público vinculada à decisão de não concorrer ao Senado. A eventual escolha para a Secretaria da Justiça e Cidadania, portanto, é interpretada agora como resultado de uma composição política posterior, e não como um compromisso formal divulgado naquele período.
Nomeação ampliaria o espaço político no governo estadual
A possível entrada de Salles no primeiro escalão reforça a expectativa de que Tarcísio combine, em sua equipe, nomes com experiência administrativa e representantes com maior capacidade de articulação política. O governador tem sua administração associada a uma atuação de perfil técnico, mas a formação do novo secretariado deverá incorporar aliados com participação mais direta nas disputas eleitorais e na organização do grupo político.
Ex-ministro e integrante do campo político de direita, Salles levaria para a Secretaria da Justiça e Cidadania experiência na administração pública e proximidade com as articulações eleitorais do grupo de Tarcísio. A pasta o colocaria em uma posição de destaque dentro do governo paulista e poderia aumentar sua presença nas discussões sobre as próximas eleições no estado.
Além da possibilidade de integrar o secretariado, Salles é citado como um dos nomes que podem concorrer à Prefeitura de São Paulo em 2028. A eleição municipal será responsável por definir o sucessor de Ricardo Nunes (MDB), atual prefeito da capital paulista.
Tarcísio pretende participar da escolha do candidato que representará seu grupo na disputa pela prefeitura. O governador já declarou apoio a Nunes e chegou a transferir seu título de eleitor para a cidade de São Paulo com a finalidade de votar no atual prefeito.
Nesse cenário, uma eventual nomeação de Salles para a Secretaria da Justiça e Cidadania poderá consolidar sua permanência no núcleo político do governador e ampliar sua exposição dentro da estrutura estadual. A movimentação também o manteria integrado às articulações de Tarcísio, que deverão influenciar a formação de alianças e a definição de candidaturas de direita em São Paulo nos próximos ciclos eleitorais.








