O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) respondeu nesta quinta-feira (5) às críticas feitas pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), após uma manifestação realizada pelo parlamentar no Amapá durante o período eleitoral. Em discurso no plenário na quarta-feira (4), Alcolumbre condenou a ida de autoridades a outros estados para fazer ataques políticos e afirmou que o ambiente público tem sido marcado por ofensas, agressões e ameaças.
Embora não tenha citado Nikolas nominalmente, o senador fez referência ao ato promovido pelo deputado mineiro em seu estado. Alcolumbre afirmou que não considerava normal uma autoridade deixar sua unidade da Federação para ir ao estado do presidente do Senado e ofendê-lo. Para ele, as divergências políticas fazem parte da democracia, mas devem ser tratadas com respeito e com espaço para o contraditório.
Durante a sessão, o presidente do Senado também criticou o uso das redes sociais como instrumento de disseminação de agressões e mentiras. Segundo Alcolumbre, a situação política brasileira chegou a um ponto preocupante, com lideranças deixando seus estados para atacar adversários em outras regiões do país.
Na resposta, Nikolas mencionou Alcolumbre diretamente e afirmou que o senador não estaria habituado a receber cobranças públicas. O deputado sustentou que a atividade realizada no Amapá foi pacífica e que acabou sendo caracterizada pelo presidente do Senado como agressão, ofensa ou ameaça.
De acordo com Nikolas, o ato reuniu pessoas vestidas de verde e amarelo, sob forte calor, para reivindicar mudanças e cobrar o andamento de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O parlamentar acusou Alcolumbre de não dar prosseguimento às solicitações apresentadas no Senado.
Deputado cita problemas sociais no Amapá
Ao justificar a cobrança feita durante a manifestação, Nikolas passou a mencionar indicadores sociais do Amapá. Segundo os dados citados por ele, nove em cada dez moradores do estado não tinham acesso à coleta de esgoto em 2024. O deputado também afirmou que mais de 230 mil pessoas viviam sem água tratada naquele ano.
O parlamentar declarou ainda que o Amapá apresentou a maior taxa de mortes violentas em 2025. Também mencionou que o índice de mortes violentas entre crianças e adolescentes foi quase três vezes superior à média brasileira. Outro dado citado por Nikolas foi o de que mais de 40% da população amapaense estava abaixo da linha da pobreza em 2024.
Ao se referir à trajetória política de Alcolumbre, o deputado mencionou a permanência do senador na representação do estado por “24 anos consecutivos”. Nikolas afirmou que não responsabilizava exclusivamente o presidente do Senado por todos os problemas do Amapá, mas questionou se seria coerente reagir com indignação a uma manifestação popular e não demonstrar a mesma intensidade diante das dificuldades enfrentadas pelos moradores.
Nikolas faz novas acusações contra Alcolumbre
Na sequência, Nikolas criticou a atuação de Alcolumbre no Senado e citou acusações e denúncias que, segundo ele, envolvem o parlamentar. O deputado afirmou que não seria normal a retirada da redução da maioridade penal da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança.
O deputado também acusou o senador de ter participado de um “estelionato eleitoral” para favorecer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A declaração se referia, conforme a versão de Nikolas, à colocação em votação do fim da escala de trabalho 6×1 durante o segundo turno das eleições.
Outro ponto mencionado foi a decisão atribuída a Alcolumbre de não pautar pedidos de impeachment contra ministros do STF, mesmo diante da possibilidade de apoio dos 81 senadores. Nikolas também citou relatos de que um ex-chefe de gabinete do presidente do Senado teria recebido R$ 3 milhões de uma empresa investigada no esquema do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O parlamentar fez ainda referência a relatos de ex-assessoras sobre um suposto esquema de “rachadinha” no gabinete, com movimentação superior a R$ 2 milhões. As acusações foram apresentadas por Nikolas durante a manifestação em que rebateu as declarações feitas por Alcolumbre.
Ao encerrar sua fala, o deputado afirmou que questionar a atuação de autoridades não representa uma ofensa. Ele também mencionou uma troca de mensagens entre pessoas ligadas ao empresário Vorcaro e citou mulheres chamadas de “suíças”, sem detalhar o episódio. Nikolas concluiu dizendo que não considerava normal “um homem como você” ocupar um dos cargos mais importantes do país.
A reportagem da Itatiaia procurou o gabinete de Davi Alcolumbre. O espaço permanece aberto para que o presidente do Senado se manifeste sobre as acusações apresentadas por Nikolas Ferreira.








