O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) oficializou, nesta segunda-feira (27/7), sua candidatura à Presidência da República nas eleições deste ano. A convenção nacional do partido ocorreu em Brasília (DF) e contou com a presença do presidente da legenda, Eduardo Ribeiro. Zema lançou oficialmente sua postulação sem ter definido ainda um vice, sinalizando o objetivo de manter o Novo como protagonista de um projeto próprio, sem abrir mão de uma agenda de críticas ao governo Lula, ao PT e aos fundamentos do atual Judiciário.
No discurso de apresentação, Zema deixou claro que o enfrentamento ao PT seria uma de suas frentes centrais. “Tudo o que dá certo neste país parece que o PT não gosta. A minha bandeira é estar contra o PT”, enfatizando uma linha de comunicação que já figura entre seus posicionamentos públicos desde o início da formação de sua candidatura.
Sobre o Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-governador apontou a necessidade de “acabar com essa farra dos intocáveis”. Em tom crítico, ele disse ter sido objetivo ao responder o processo movido pelo ministro Gilmar Mendes, destacando que quem ocupou o jatinho de um “banqueiro bandido” foi, segundo ele, o ministro e colegas dele, e não ele. Zema também aludiu a críticas a outros magistrados, sem citar nomes, mencionando episódios envolvendo contratos milionários e transações financeiras atribuídas a “colegas” do Judiciário.
No âmbito de segurança pública e política externa, o candidato afirmou que o Brasil precisa retomar a soberania que estaria sendo prejudicada por interferências externas. Referindo-se à decisão dos Estados Unidos de enquadrar determinadas facções criminosas, como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), como terroristas, Zema observou que o Brasil já deveria ter adotado esse marco há muito tempo. Em continuidade, ele defendeu que todas as organizações criminosas e facções sejam tratadas como terroristas. O candidato também revelou, como uma de suas propostas, a construção de um “superpresídio de referência” em área remota da Amazônia, destinado a abrigar lideranças de facções para cumprir penas de, no mínimo, 25 anos.
Na mesma manhã, uma pesquisa encomendada pela BTG/Nexus indicou, em cenário de segundo turno, que o confronto entre Zema e Lula pode chegar a um empate técnico, com 42% para o candidato do Novo e 46% para o atual presidente, em eventual disputa pela Presidência.
O presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, destacou o histórico de Zema à frente de Minas Gerais, afirmando que o ex-governador enfrentou resistências “contra tudo e contra todos” para estabilizar o estado. “Se há algo, talvez o maior legado que o Zema deixou em Minas Gerais, é que uma boa gestão, com pessoas qualificadas, competentes, íntegras e corajosas, enterra o PT, como enterramos o PT em Minas Gerais”, ressaltou Ribeiro.
A oficialização da candidatura reforça a aposta do Novo em manter um projeto próprio, mesmo diante de especulações de que Zema poderia ocupar a chapa como vice na composição encabeçada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, através de seu filho mais velho. Até o momento, o Novo não confirmou um vice. Nos bastidores, o ex-governador chegou a defender o empresário Geraldo Rufino (Podemos) como eventual vice, mas as tratativas não avançaram, já que Rufino pode disputar uma vaga ao Senado por São Paulo.
Durante o 10º Encontro Nacional do Novo, em São Paulo, Zema chegou a mencionar a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF) como possível candidata a vice, mas a própria Michelle negou a possibilidade pouco tempo depois, afirmando que “não há nenhuma chance de isso acontecer”. Em meio à indefinição, o dirigente afirmou que a escolha para o posto seria definida após a convenção da legenda.
Natural de Araxá, no Triângulo Mineiro, Romeu Zema, aos 61 anos, construiu boa parte de sua trajetória profissional longe da política tradicional, antes de ingressar no serviço público. Sua liderança emerge a partir de uma formação empresarial: graduado em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV), atuou por quase três décadas como gestor e presidente do conselho do Grupo Zema, conglomerado familiar com atuação em varejo de eletrodomésticos, postos de combustíveis e serviços financeiros. Sua eleição para o governo de Minas ocorreu em 2018, pelo Partido Novo, com base em um discurso de austeridade fiscal e gestão com mentalidade de mercado, derrotando nomes tradicionais da política mineira no segundo turno.
Durante os dois mandatos à frente de Minas Gerais — entre 2019 e 2026, segundo a linha de tempo apresentada pela própria candidatura — Zema enfatizou a implementação de reformas estruturais, desburocratização de investimentos e contenção de gastos públicos como marcas de sua gestão. Ao deixar o governo em março de 2026 para que o vice, Mateus Simões, pudesse assumir, ele passou a atuar como uma liderança central do Novo nas articulações políticas e na construção de sua candidatura presidencial.









