Um forte vendaval que atingiu as regiões metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro na última quarta-feira, dia 29, causou considerável destruição, com rajadas de vento que chegaram a atingir velocidades de até 100 km/h. A preocupação agora é se esse fenômeno poderá atingir também Belo Horizonte e outras áreas de Minas Gerais, uma vez que as condições meteorológicas parecem diferentes na região.
Conforme explicou a meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Anete Fernandes, a probabilidade de que o mesmo tipo de evento se repita em Belo Horizonte é considerada “praticamente zero”. Apesar disso, ela destacou que é possível a ocorrência de ventos mais intensos na capital mineira, embora sem o potencial de causar destruição semelhante ao que foi visto nas cidades do Sudeste.
Fernandes explicou que o fenômeno ocorrido em São Paulo e no Rio de Janeiro foi desencadeado pelo contraste térmico entre o ar frio e úmido, que se deslocava dessas regiões, e o ambiente quente e seco predominante naquelas áreas. Essa diferença de temperaturas favoreceu a aceleração dos ventos, gerando as rajadas intensas que causaram prejuízos materiais e transtornos na quarta-feira.
A especialista acrescentou que o avanço do sistema atmosférico pode, sim, intensificar os ventos em regiões próximas, incluindo a Grande São Paulo, mas reforçou que não há previsão de impactos de grande escala ou de eventos desastrosos semelhantes aos observados ontem no Rio de Janeiro. Ela destacou que, embora o fenômeno seja de grande intensidade, sua propagação para outras áreas, como Belo Horizonte, não deve gerar efeitos semelhantes.
Quanto à relação entre esse evento e o fenômeno do El Niño, Fernandes esclareceu que ainda não é possível afirmar que o vendaval tenha sido uma consequência direta do aquecimento das águas do Pacífico, característico do El Niño. No entanto, ela apontou que o episódio serve como um indicativo do que pode ocorrer nos próximos meses, uma vez que anos de El Niño costumam registrar maior frequência de ondas de calor e eventos atmosféricos extremos.
Segundo a especialista, o aumento na incidência de ondas de calor durante os meses de agosto e setembro, associados às ações do El Niño, pode gerar condições favoráveis a contrastes térmicos mais intensos. Esses contrastes, por sua vez, podem contribuir para a aceleração dos ventos, aumentando o risco de fenômenos semelhantes ao registrado recentemente nas regiões do Sudeste. Por isso, ela recomenda atenção às previsões meteorológicas e à preparação das cidades para possíveis eventos de maior intensidade, embora a previsão de que o vendaval de quarta-feira se repita em Belo Horizonte seja considerada improvável.









