A criatividade artística está associada a uma maior frequência de problemas de saúde mental, enquanto a criatividade científica não apresentou relação significativa com a maioria das condições avaliadas. A conclusão é de um estudo publicado em 8 de outubro na revista Molecular Psychiatry, com base em dados de mais de 14 mil gêmeos residentes na Suécia.
A pesquisa foi realizada por cientistas do Instituto Max Planck, da Alemanha, e do Instituto Karolinska, na Suécia. O trabalho analisou diferentes manifestações de criatividade, incluindo música, escrita, dança, teatro, artes visuais, ciência e invenção. Além dessas características, os pesquisadores avaliaram sintomas relatados pelos próprios participantes e diagnósticos psiquiátricos registrados em prontuários médicos.
De acordo com os resultados, os participantes classificados com maior criatividade artística apresentavam mais problemas relacionados à saúde mental. A associação foi observada entre as medidas analisadas pelos pesquisadores. No caso da criatividade científica, porém, não foi identificada uma relação significativa com a maior parte das condições avaliadas. Em algumas análises, esse tipo de criatividade apareceu associado a menos dificuldades.
Para investigar se fatores genéticos poderiam ajudar a explicar os resultados, os cientistas também compararam gêmeos idênticos. Esse grupo compartilha praticamente todos os genes e, em geral, teve ambientes de criação semelhantes. A análise indicou que fatores genéticos contribuíram para a relação observada entre criatividade artística e saúde mental.
Os pesquisadores ressaltam, no entanto, que essa constatação não significa que os genes sejam responsáveis por toda a associação. Fatores ambientais também podem participar da relação entre criatividade artística e problemas de saúde mental. Segundo os autores, esses elementos ainda precisam ser investigados em novos estudos.
“Mais estudos são necessários para entender como a criatividade artística e a saúde mental estão ligadas”, afirmou Penghao Xia, primeiro autor do artigo.
Associação com abertura à experiência
A equipe também identificou uma relação entre sintomas depressivos apresentados em uma fase inicial da vida e uma maior abertura à experiência posteriormente. Essa característica está relacionada à disposição para experimentar novas ideias, atividades e experiências.
A associação também foi observada nas comparações entre gêmeos idênticos. Ainda assim, os autores afirmam que são necessárias novas pesquisas para confirmar se existe uma relação de causa e efeito. Os dados do estudo mostram vínculos entre características observadas nos participantes, mas não permitem concluir que sintomas depressivos provoquem maior abertura à experiência ou que a criatividade artística cause problemas psiquiátricos.
Os resultados podem ajudar a explicar por que estudos anteriores chegaram a conclusões diferentes sobre a relação entre criatividade e saúde mental. Para os pesquisadores, considerar todas as formas de criatividade como se fossem equivalentes pode ocultar diferenças relevantes entre atividades artísticas, científicas e de invenção.
O estudo também não indica que todas as pessoas envolvidas com atividades artísticas tenham maior risco de desenvolver transtornos mentais. A pesquisa identificou associações em grupos de participantes, e os mecanismos que podem estar por trás dessa relação ainda não foram esclarecidos.







