Pesquisadores identificaram que o adoçante isosteviol, amplamente utilizado na indústria alimentícia, pode impactar negativamente a saúde intestinal. Os resultados da pesquisa foram publicados na revista Molecular Systems Biology e divulgados à imprensa nesta quinta-feira, 16 de julho.
O estudo aponta que o isosteviol, frequentemente encontrado em produtos como refrigerantes, doces, sobremesas, salgadinhos e cereais, pode afetar duas bactérias intestinais cruciais: Roseburia intestinalis e Parabacteroides merdae. Quando combinado com o antidepressivo duloxetina, o adoçante demonstrou prejudicar significativamente o crescimento dessas bactérias, que desempenham um papel vital no controle do açúcar no sangue e na saúde digestiva.
Embora os adoçantes sejam considerados alternativas mais saudáveis ao açúcar, o estudo destaca que há evidências que os associam a condições de saúde adversas, como diabetes tipo 2, obesidade e câncer. A importância das bactérias mencionadas vai além da digestão; elas estão diretamente ligadas à resposta imunológica do corpo, o que torna suas alterações preocupantes.
Para realizar a pesquisa, os cientistas cultivaram 25 espécies de bactérias intestinais, classificadas em benéficas, neutras e potencialmente nocivas. Em seguida, expuseram essas bactérias a 39 tipos de adoçantes, tanto artificiais quanto naturais, e monitoraram suas taxas de multiplicação. Os resultados mostraram que aproximadamente 75% dos adoçantes testados afetaram o crescimento de pelo menos uma espécie bacteriana, enquanto outros adoçantes inibiram ou interromperam o crescimento de bactérias benéficas.
Após essa fase inicial, os pesquisadores conduziram novos testes, combinando os adoçantes com substâncias como cafeína, vanilina, advantame (um substituto artificial do açúcar) e oito medicamentos comuns. Essa etapa revelou mais de 100 interações entre as substâncias e os adoçantes, com 34 combinações intensificando os efeitos e 68 resultando em efeitos reduzidos.
A professora Kiran Patil, da Unidade de Toxicologia do Conselho de Pesquisa Médica (MRC) da Universidade de Cambridge, observou que a maioria das informações sobre o impacto dos adoçantes na saúde provém de estudos realizados em animais ou investigações populacionais. Ela ressaltou a dificuldade em entender como os adoçantes interagem com o organismo humano, questionando se essas interações ocorrem diretamente com as bactérias intestinais.
Sonja Blasche, principal autora do estudo e também da Unidade de Toxicologia do MRC, destacou que a pesquisa desafia a noção de que os adoçantes são metabolicamente neutros. Segundo ela, “os adoçantes são frequentemente comercializados como neutros em termos metabólicos, mas nosso estudo questiona essa premissa. Descobrimos que eles podem impactar diretamente as bactérias intestinais, especialmente quando combinados com outros compostos, como medicamentos e aditivos alimentares. Essas combinações comuns podem ter efeitos adversos em nosso microbioma intestinal.”
Os pesquisadores enfatizam que, apesar das descobertas, os testes foram realizados apenas em laboratório e não em humanos, o que indica a necessidade de mais estudos para compreender plenamente as implicações do uso de adoçantes na saúde intestinal.









