A perda de peso não ocorre de maneira uniforme entre todas as pessoas. Enquanto algumas conseguem emagrecer com relativa facilidade, outras enfrentam desafios mesmo ao adotar uma alimentação balanceada e praticar atividades físicas regularmente. Especialistas afirmam que essa variação na velocidade do emagrecimento é influenciada por uma combinação de fatores biológicos, hormonais e comportamentais.
A endocrinologista Fernanda Parra, que atua em São Paulo, destaca que a comparação da perda de peso entre indivíduos pode resultar em conclusões errôneas, uma vez que cada organismo responde de forma única aos mesmos hábitos alimentares e de exercícios. “A perda de peso é influenciada por diversos fatores individuais que vão além da alimentação e da prática de exercícios”, ressalta a especialista.
Entre os fatores que afetam o emagrecimento, estão a genética, a composição corporal, a qualidade do sono, os níveis de estresse e as condições de saúde. Essas variáveis impactam o gasto energético e a forma como o corpo acumula gordura. Parra explica que a idade, a composição corporal e os hormônios também são determinantes, o que ajuda a entender por que duas pessoas com rotinas semelhantes podem ter resultados diferentes.
Além disso, condições médicas como resistência à insulina, hipotireoidismo e alterações hormonais podem dificultar o emagrecimento. Tais condições devem ser investigadas quando há persistência na dificuldade de perder peso, uma vez que podem interferir diretamente nos resultados.
A nutróloga Mônica Batista, com consultório no Rio de Janeiro, complementa que o funcionamento do organismo varia de pessoa para pessoa. Fatores como a taxa metabólica basal, a eficiência na utilização de energia proveniente dos alimentos, a microbiota intestinal e a quantidade de massa muscular são essenciais nesse processo. “A massa muscular é um dos principais fatores que influenciam o gasto calórico do organismo, inclusive durante o repouso”, explica.
Batista enfatiza que a massa muscular não apenas contribui para o gasto calórico em repouso, mas também influencia a regulação do apetite através de hormônios como a leptina e a grelina, que estão diretamente ligados à fome e à saciedade. Esses hormônios podem tornar a perda de peso mais fácil ou mais desafiadora, dependendo do indivíduo.
Apesar das diferenças biológicas, os especialistas concordam que a predisposição genética não é o único fator determinante para o sucesso no emagrecimento. Uma alimentação equilibrada, a prática regular de exercícios, um sono de qualidade e o controle do estresse permanecem como pilares fundamentais para uma perda de peso saudável e sustentável.
Além disso, é crucial evitar dietas extremamente restritivas, que podem levar à adaptação metabólica, um mecanismo pelo qual o corpo diminui o gasto energético para conservar calorias. O acompanhamento médico é essencial para identificar possíveis alterações hormonais ou doenças associadas, permitindo a elaboração de estratégias personalizadas que visem alcançar resultados mais consistentes e duradouros no emagrecimento.








