Gomas mastigáveis, cápsulas e complexos vitamínicos vendidos na internet não têm comprovação científica de que sejam capazes de acelerar o crescimento dos cabelos em pessoas saudáveis. Segundo estudos divulgados pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH), não há evidências clínicas de que a suplementação diária aumente o crescimento ou a densidade dos fios em indivíduos que não apresentam deficiência nutricional diagnosticada.
A promessa de conquistar cabelos longos em pouco tempo impulsiona um mercado milionário de produtos capilares, mas o ciclo de crescimento dos fios segue um ritmo biológico próprio. De acordo com especialistas, os nutrientes são importantes para a formação e a manutenção da estrutura capilar, mas não funcionam como estimulantes capazes de aumentar a velocidade natural de crescimento.
“As vitaminas podem contribuir para melhorar a estrutura, o viço e a qualidade dos fios, mas não fazem com que eles cresçam mais rapidamente”, explica a farmacodermatologista Paula Sian.
Até mesmo o minoxidil, substância amplamente prescrita na dermatologia, não acelera o crescimento dos cabelos. Sua ação está relacionada à extensão da fase de crescimento ativo do fio, o que faz com que ele permaneça preso ao couro cabeludo por mais tempo. O mecanismo, portanto, não altera a velocidade natural do ciclo capilar.
Deficiências nutricionais podem prejudicar os fios
Do ponto de vista nutricional, o cabelo depende de proteínas e micronutrientes para a produção de queratina, componente estrutural dos fios. No entanto, o organismo estabelece prioridades metabólicas e direciona seus recursos para funções essenciais à sobrevivência.
“O cabelo não é uma prioridade metabólica para o organismo. Quando existe uma deficiência nutricional importante, o corpo tende a preservar funções essenciais à sobrevivência e o crescimento capilar pode ser prejudicado”, afirma a nutricionista integrativa Camilla Simões.
A queda intensa e o enfraquecimento dos cabelos podem estar relacionados a condições específicas, como anemia e dietas extremamente restritivas. Entre as mulheres em idade fértil, a deficiência de ferro é apontada como um dos principais fatores associados à perda de fios. Quando há falta do mineral, o organismo tende a direcioná-lo para funções consideradas vitais, o que pode afetar o ciclo capilar.
Nesses casos, a suplementação pode ter finalidade terapêutica, mas depende da identificação da deficiência e de orientação profissional. O uso indiscriminado de produtos, por outro lado, pode provocar efeitos adversos e até intensificar a queda.
Excesso de vitaminas e minerais também pode provocar queda
A hipervitaminose A, causada pelo consumo excessivo de vitamina A e de compostos derivados, está diretamente associada à queda capilar e a alterações na pele. O excesso de selênio ou zinco também pode desequilibrar o organismo e desencadear a perda de fios. Esses minerais estão presentes principalmente em frutos do mar, carnes vermelha e de frango, ovos, leite e derivados, entre outros alimentos.
A biotina, também conhecida como vitamina B7, é outro componente frequentemente divulgado como solução para o crescimento capilar, especialmente em gomas vendidas como suplementos. No entanto, a deficiência verdadeira da substância é considerada rara entre pessoas saudáveis que mantêm uma alimentação variada.
“A deficiência verdadeira de biotina é relativamente rara em pessoas saudáveis que mantêm uma alimentação variada. E as evidências científicas não demonstram benefícios consistentes para indivíduos sem essa deficiência”, ressalta Camilla Simões.
Além da ausência de benefício comprovado para quem não tem deficiência, doses elevadas de biotina podem interferir em exames laboratoriais, incluindo testes de tireoide e marcadores cardíacos.
Quebra do fio não é o mesmo que queda desde o folículo
Outra distinção importante envolve a diferença entre a queda originada no folículo capilar e a quebra da fibra que já está exposta. Alisamentos, descolorações e o uso frequente de fontes de calor podem danificar a estrutura do fio que emergiu do couro cabeludo.
“É importante entender que a parte visível do cabelo é formada por células mortas. A partir do momento em que o fio emerge do couro cabeludo, ele não possui mais a capacidade de regeneração biológica. Tomar suplementos não resolve o problema de um cabelo que já está quebradiço devido a agressões externas”, explica Paula Sian.
Antes de investir em cápsulas ou gomas capilares, a recomendação é investigar a origem da queda ou do enfraquecimento por meio de exames de sangue, histórico clínico e avaliação dermatológica. A combinação de alimentação equilibrada e tratamentos específicos pode contribuir para a saúde do couro cabeludo, evitando gastos desnecessários e possíveis riscos associados ao consumo sem orientação.









