Médicos do Hospital Brigham and Women’s, em Boston, EUA, utilizaram refrigerante de cola diet para dissolver uma massa de alimento no estômago de uma mulher de 63 anos, diagnosticada com bezoar gástrico, uma condição rara. A paciente foi internada após apresentar sintomas graves, incluindo dores abdominais intensas, náuseas, vômitos e refluxo.
A mulher, que tinha um histórico de doenças como doença renal crônica e refluxo gastroesofágico, começou a utilizar semaglutida, um medicamento indicado para diabetes tipo 2 e obesidade, um ano antes do episódio. Nas semanas que antecederam a internação, ela notou uma perda de peso acentuada, acompanhada de desconforto gastrointestinal persistente que não melhorou com medicamentos comuns.
Para investigar a causa dos sintomas, a equipe médica solicitou exames de imagem e tomografia computadorizada, que revelaram um estômago distendido e a presença de uma massa semissólida, além de dilatação dos ductos biliares. Com base nos resultados, os médicos realizaram uma endoscopia digestiva, que confirmou o diagnóstico de bezoar gástrico.
Os bezoares são formados por materiais que não são digeridos pelo estômago, sendo o fitobezoar, composto por fibras vegetais, o tipo mais comum. Os sintomas típicos incluem dor abdominal, náuseas e vômitos. A abordagem de utilizar refrigerante diet para dissolver a massa se baseia em relatos clínicos que indicam que a acidez do refrigerante pode auxiliar na desintegração desse tipo de massa.
Estudos, como um publicado no Korean Journal of Helicobacter and Upper Gastrointestinal Research em 2024, sugerem que o pH do refrigerante, que é em torno de 2,6, se assemelha à acidez do estômago e pode potencializar a ação das enzimas digestivas. O tratamento idealmente envolve a ingestão de cerca de três litros do refrigerante ao longo de 12 horas. A escolha do refrigerante diet foi motivada pela condição diabética da paciente, que limita o consumo de açúcar.
Após o tratamento com o refrigerante, a massa foi dissolvida com sucesso, permitindo que a mulher retornasse à sua alimentação normal. Além disso, ela interrompeu o uso da semaglutida, uma vez que os sintomas foram resolvidos e a condição de saúde da paciente melhorou significativamente. O caso, publicado na revista New England Journal of Medicine, destaca uma abordagem inovadora para o tratamento de bezoares gástricos, contribuindo para a literatura médica sobre a condição.







