A experiência de viajar pode assumir um novo significado para mulheres acima dos 50 anos, como demonstra o relato da aposentada Gisele Mascarenhas, de 63 anos. Para Gisele, as viagens deixaram de ser meros momentos de lazer e passaram a representar uma oportunidade de fortalecer sua autoestima e priorizar suas próprias vontades.
Após completar 50 anos, Gisele percebeu que suas experiências de viagem estavam mudando. Sua primeira viagem internacional, realizada com uma amiga, foi marcada por inseguranças, incluindo o medo de enfrentar a imigração e a preocupação em se comunicar em um idioma estrangeiro. No entanto, essa experiência se tornou um divisor de águas em sua vida. Durante a viagem, um apagão que afetou a Espanha e Portugal atrasou seu voo de retorno, exigindo que Gisele e sua amiga adaptassem seus planos. Apesar do imprevisto, Gisele conseguiu manter a calma e se sentiu capaz de enfrentar os desafios que surgiram, o que reforçou sua confiança e alterou sua percepção sobre si mesma.
Desde então, Gisele adotou uma abordagem mais consciente em relação à sua saúde, incorporando hábitos mais saudáveis, emagrecendo e começando a praticar exercícios físicos. Para ela, priorizar o próprio bem-estar se tornou uma parte essencial desse novo capítulo de sua vida. Em seu conselho a outras mulheres, Gisele enfatiza a importância de não esperar o tempo passar para realizar os próprios sonhos.
A especialista em turismo internacional Meg Getz destaca que o perfil das mulheres com mais de 50 anos tem se transformado significativamente. Muitas delas chegam a essas experiências de viagem com maior estabilidade financeira e uma noção mais clara do que desejam vivenciar. Para Meg, o impacto das viagens vai além do destino escolhido; trata-se da sensação de independência que se conquista ao longo da experiência. Muitas mulheres viajam sozinhas ou sem seus filhos pela primeira vez, e descobrem que são capazes de tomar decisões, resolver situações inesperadas e desfrutar dos momentos sem depender de outras pessoas.
Meg observa que os principais receios enfrentados por essas viajantes incluem a barreira do idioma, preocupações com segurança e o medo de se perder. Contudo, com um planejamento adequado e roteiros adaptados ao perfil desse público, essas inseguranças costumam ser superadas pela curiosidade e pelo desejo de explorar novos destinos.
O psiquiatra Guido Boabaid May, que atende no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, aponta que viajar pode oferecer benefícios significativos para a saúde mental, proporcionando novas experiências, estimulando a autonomia e ampliando a percepção de capacidade diante de desafios. Ele explica que, especialmente após os 50 anos, muitas mulheres enfrentam mudanças importantes em suas vidas, como aposentadoria, saída dos filhos de casa ou a redefinição de seus projetos pessoais. Nesse contexto, as viagens podem ajudar na construção de uma identidade que valoriza desejos e interesses individuais.
Guido destaca que viajar pode ser uma experiência concreta de competência, permitindo que as pessoas reconheçam que ainda são capazes de aprender, se adaptar e enfrentar desafios. No entanto, ele ressalta que as viagens não devem substituir tratamentos para transtornos mentais. Em casos de depressão, ansiedade intensa ou outras condições psiquiátricas, as experiências de viagem podem servir como um complemento ao acompanhamento profissional, desde que respeitem as condições físicas e emocionais da pessoa.
Para muitas mulheres, traçar um destino no mapa representa uma forma de redescobrir a própria autoestima e a percepção de que nunca é tarde para viver novas experiências.









