O episódio final de “Dom de Iludir” encerra a disputa entre as famílias Rossetti e Petrov com um confronto armado, a morte de Bóris e a revelação de um segredo mantido por Lúcia durante décadas. Após deixar a prisão, Maíra descobre que teve uma irmã gêmea, Teresa, que morreu ainda bebê, e passa a compreender de outra forma a relação de controle e proteção mantida pela mãe ao longo de sua vida.
Flashback explica a origem da superproteção de Lúcia
O capítulo começa com uma passagem ambientada três décadas antes dos acontecimentos atuais. Na época, Lúcia viaja a Paris para comprar o quadro “Mulher com Filho Morto”, de Candido Portinari. Grávida, ela passa mal durante a viagem e precisa retornar ao Brasil, onde é internada. As lembranças desse período ajudam a explicar o comportamento superprotetor que ela desenvolveu em relação a Maíra.
No presente, Maíra deixa a prisão depois do julgamento e retorna para casa. Irina, no entanto, permanece detida. Lúcia tenta manter a filha próxima e pede ao advogado Orlando que acelere o inventário de Frederico. O processo, porém, enfrenta um obstáculo: Maíra ainda é casada com Irina, o que poderia garantir à mulher que Lúcia deseja afastar o direito de acesso à herança.
Bóris faz a família refém e termina morto
Foragido, Bóris, patriarca dos Petrov, reaparece em busca de Natália antes de iniciar uma vingança contra os Rossetti. Ao tentar justificar suas atitudes para a neta, ele afirma: “Eu fui o melhor pai que podia ser para as minhas filhas”. Natália rejeita a declaração e responde: “Você não foi pai porra nenhuma. Foi, no máximo, um chefe de quadrilha”.
Em seguida, Bóris invade a cobertura dos Rossetti e mantém Lúcia e Maíra como reféns. Ele obriga a matriarca a confessar, em vídeo, os crimes cometidos pela família. Questionado sobre o que pretende obter com a ação, resume sua motivação: “Não é o que eu ganho, mas o que você perde”.
Durante a negociação com a policial Elaine, surge a suspeita de que o laudo utilizado no julgamento tenha sido comprado por R$ 100 mil. O documento teria contribuído para que Maíra fosse considerada semi-imputável e também influenciado a pena aplicada a Irina. A conversa é interrompida pela invasão policial.
No confronto, Bóris dispara contra Lúcia. Ela se coloca na frente da filha e é atingida. Pouco depois, o patriarca dos Petrov é morto por um tiro disparado por um atirador de elite.
Lúcia escondeu a existência de uma irmã gêmea
Apesar de ser baleada, Lúcia sobrevive e é levada ao hospital. Durante a recuperação, começa a chamar por Teresa, o que desperta a desconfiança de Maíra. Ao voltar para a cobertura, a jovem procura respostas e encontra, no armário da mãe, roupas bordadas, pulseiras de recém-nascidas e certidões que comprovam a existência de uma irmã gêmea.
Os documentos revelam que Teresa morreu ainda bebê. Flashbacks mostram que as duas meninas nasceram prematuras e apresentavam problemas cardíacos depois da viagem de Lúcia, realizada contra recomendação médica. Como havia apenas um coração disponível para transplante, Lúcia precisou enfrentar a possibilidade de perder uma das filhas. Em conversa com Frederico, ela desabafa: “Eu não tenho condição de escolher qual filha vai viver e qual vai morrer”.
Maíra sobrevive, enquanto Teresa não resiste. A culpa pela morte da bebê passa a orientar o comportamento de Lúcia e ajuda a explicar o controle que ela exerce sobre a filha ao longo dos anos. O quadro de Portinari também ganha um significado pessoal: a imagem de uma mãe carregando o filho morto remete diretamente à experiência vivida por Lúcia dentro da própria família.
Nota de R$ 50 ajuda a localizar obra de Portinari
Outro elemento importante do desfecho é uma nota de R$ 50 entregue por Bóris a Tati. Natália percebe que há números escritos à mão na cédula, guarda o dinheiro e, posteriormente, analisa as marcações ao lado de Irina. As duas concluem que os números funcionam como coordenadas de uma espécie de caça ao tesouro.
Irina interpreta a atitude do pai como uma tentativa de proteger os integrantes da família, mesmo por meio do crime. “O Bóris podia ser bandido, mas ele nunca deixou de pensar na família”, afirma. Natália segue as coordenadas e encontra o quadro de Portinari, identificado como a única obra da coleção que ainda não havia sido vendida.
Maíra e Irina terminam sem reconciliação
Maíra visita Irina na prisão para tentar compreender o que foi verdadeiro no relacionamento entre as duas. A conversa, porém, não termina em reconciliação. Maíra declara: “Vivi a minha vida inteira com mentira atrás de mentira. Eu não aguento mais”. Irina responde: “Eu nunca amei ninguém como amo você”.
No encerramento, Lúcia volta para casa sem a coleção de quadros, apreendida durante a investigação sobre lavagem de dinheiro. Maíra decide permanecer ao lado da mãe. A cena final mostra a jovem lavando os cabelos de Lúcia na banheira, em uma inversão de papéis depois de anos de controle materno. O momento sugere uma relação baseada no cuidado, mas mantém no ar a tensão entre as duas.








