O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia alterações em áreas estratégicas do governo para o próximo mandato presidencial. Entre as possibilidades discutidas estão a indicação do embaixador Maurício Lyrio para o comando do Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, e a criação de um Ministério da Segurança Pública, que teria um novo titular. As mudanças ainda estão em fase de análise e nenhuma escolha foi anunciada oficialmente.
As discussões fazem parte da formação da próxima equipe ministerial e envolvem nomes com diferentes perfis, incluindo experiência diplomática, capacidade de articulação política e atuação no combate ao crime organizado. A eventual reformulação também pode alcançar o Ministério da Defesa, atualmente comandado por José Múcio.
Maurício Lyrio é cotado para substituir Mauro Vieira
Para o Itamaraty, Lula considera promover uma mudança geracional com a escolha de Maurício Lyrio, de 59 anos. O atual ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, tem 75 anos e esteve à frente da pasta durante todo o terceiro mandato de Lula. Vieira também ocupou o cargo entre 2015 e 2016, durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff.
Lyrio é visto como próximo de Celso Amorim, assessor especial da Presidência para assuntos internacionais. Ao longo do atual governo, o diplomata participou de negociações econômicas e ambientais relevantes, além de contribuir para a elaboração da declaração da cúpula do G20 realizada no Brasil.
O embaixador também atuou nas tratativas que resultaram na conclusão do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Ele integrou ainda as negociações relacionadas às tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
Em 2025, Lyrio assumiu a Secretaria de Clima, Energia e Meio Ambiente do Itamaraty. Na função, passou a atuar em debates internacionais sobre mudanças climáticas e na preparação da COP30, realizada em Belém, no Pará. A possível indicação dele para o comando da chancelaria é tratada como parte de uma reorganização mais ampla da estrutura ministerial.
Disputa pela nova pasta de Segurança Pública muda após a eleição
A criação do Ministério da Segurança Pública também está entre as alternativas analisadas por Lula. Inicialmente, o promotor de Justiça Lincoln Gakiya aparecia como um dos principais nomes cotados para comandar a futura pasta. Conhecido pela atuação em investigações contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), ele participou de um jantar na casa do advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha de Lula em São Paulo, poucos dias antes do segundo turno.
Durante o encontro, Gakiya foi consultado sobre os desafios da segurança pública e relatou experiências acumuladas em cerca de 30 anos de atuação no Ministério Público de São Paulo. O promotor afirmou que não havia recebido um convite oficial, mas indicou que aceitaria assumir a função caso fosse chamado.
Gakiya vive sob escolta armada por causa de ameaças relacionadas ao trabalho. Em 2019, participou da iniciativa que levou à transferência de 22 lideranças do PCC para presídios de segurança máxima.
Depois da eleição, porém, o nome do promotor perdeu força nas discussões. Lula teria indicado a aliados que prefere um político no comando da nova estrutura. Com isso, os ex-ministros Camilo Santana e Fernando Haddad passaram a ser considerados para a função.
Camilo, que foi governador do Ceará e ministro da Educação, ganhou espaço na articulação política do presidente durante a campanha eleitoral. Haddad é citado por interlocutores de Lula devido à atuação da Receita Federal no enfrentamento de esquemas financeiros ligados ao crime organizado, incluindo operações contra a lavagem de dinheiro.
A escolha continua em aberto. Integrantes da chamada “cozinha” do Palácio do Planalto avaliam que Haddad também poderia retornar ao Ministério da Educação, pasta que comandou entre 2005 e 2012.
Criação do ministério depende de proposta em tramitação no Congresso
A instalação do Ministério da Segurança Pública está condicionada à aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. O texto prevê ampliar a coordenação da União com os estados, o Distrito Federal e os municípios no combate à criminalidade, além de fortalecer a integração entre as forças de segurança.
A proposta já foi aprovada pela Câmara dos Deputados e avançou na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Ainda falta, contudo, a votação no plenário da Casa. A tramitação sofreu impacto de divergências relacionadas à possibilidade de incluir no texto mudanças na maioridade penal para determinados crimes.









