Os eleitores dos Estados Unidos votam nesta terça-feira (3) nas eleições de meio de mandato, conhecidas como Midterms, que definirão o controle da Câmara dos Representantes e do Senado nos próximos anos. Mais de 56 milhões de votos já foram registrados antecipadamente, por correio ou presencialmente, conforme as regras adotadas por cada estado.
A disputa é considerada decisiva para o presidente Donald Trump. A composição do Congresso americano após a eleição poderá influenciar diretamente a capacidade do governo de aprovar sua agenda política e seus projetos de lei. Caso os democratas conquistem o controle de uma ou das duas Casas, a administração republicana poderá enfrentar mais dificuldades para avançar suas propostas e ficar sujeita à abertura de investigações contra o governo.
Se os republicanos mantiverem a maioria na Câmara e no Senado, por outro lado, Trump poderá encontrar um cenário mais favorável para negociar e aprovar medidas de interesse de sua administração. A definição da maioria parlamentar, portanto, terá impacto sobre os próximos anos do governo e sobre o equilíbrio de forças entre o Executivo e o Legislativo dos Estados Unidos.
As pesquisas de opinião indicam vantagem dos democratas em relação aos republicanos. O desempenho de Trump também é apontado como um fator relevante no cenário eleitoral. Segundo levantamento realizado pela Reuters/Ipsos, o presidente registra 32% de aprovação entre a população.
Apuração não tem prazo nacional unificado
Não existe uma previsão exata para a divulgação dos resultados completos das Midterms. Embora várias disputas possam ser definidas ainda nesta terça-feira (3), a apuração pode se prolongar por dias, principalmente nos estados em que a diferença entre os candidatos é pequena.
Ao contrário do que ocorre no Brasil, os Estados Unidos não contam com um órgão centralizador responsável por reunir e divulgar toda a apuração nacional. A contagem dos votos é conduzida individualmente por cada estado, de acordo com suas próprias regras e procedimentos.
O tempo necessário para concluir a apuração depende de fatores como o tamanho da população local, a quantidade de votos enviados pelo correio e os critérios adotados para validar as cédulas. Em estados mais populosos ou com grande volume de votação antecipada, o resultado pode demorar mais para ser confirmado.
Na Califórnia, por exemplo, a contabilização costuma levar semanas. Uma das razões é que o estado aceita e valida cédulas que tenham carimbo postal com data até o dia da eleição, mesmo quando esses votos chegam posteriormente às autoridades responsáveis pela apuração.
Resultados anteriores levaram de horas a dias
O histórico recente mostra que o prazo de definição pode variar consideravelmente. Nas últimas eleições de meio de mandato, realizadas em 2022, a maioria do Senado foi definida quatro dias após a votação. Na Câmara dos Representantes, foram necessários oito dias para determinar qual partido teria o controle.
Em 2018, contudo, o cenário foi diferente. Naquele ano, o controle das duas Casas do Congresso americano foi definido ainda à 0h30, pelo horário de Brasília. A comparação evidencia que não há um padrão fixo para a divulgação dos resultados, já que cada eleição depende do nível de competitividade das disputas e das regras de apuração em cada estado.
De acordo com a Constituição dos Estados Unidos, os mandatos dos novos senadores e deputados começam em 3 de janeiro. Em 2027, porém, essa data cairá em um domingo. Por esse motivo, o início do 120º Congresso americano poderá ocorrer em outro dia, caso seja aprovada uma lei estabelecendo uma nova data.








