A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) realizou, na manhã desta quinta-feira (5/11), uma operação para cumprir 20 mandados de busca e apreensão no condomínio Vista Alegre, no bairro Maracanã, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A ação investiga uma organização criminosa suspeita de atuar no tráfico de drogas e de envolvimento em pelo menos dois homicídios cometidos por meio de espancamentos. Um adolescente de 16 anos foi apreendido em flagrante durante o cumprimento das ordens judiciais.
De acordo com a investigação, o grupo mantinha uma atividade intensa de venda de entorpecentes nas proximidades do condomínio. Os policiais também apuram o uso de violência para controlar a região, cobrar dívidas e punir pessoas que contrariassem as determinações das lideranças da organização.
A apuração teve início após a morte de um homem que havia sido agredido no próprio local. Imagens de câmeras de segurança registraram o ataque e foram fundamentais para que os investigadores reconstruíssem a dinâmica do crime. Nas gravações, a vítima é vista correndo enquanto é perseguida por pelo menos cinco pessoas. Em seguida, ela cai e passa a ser atingida com socos e chutes.
O homem chegou a ser socorrido e permaneceu internado por três meses, mas morreu em razão dos ferimentos provocados pela agressão. A análise desse caso levou a Polícia Civil a identificar a possível existência de um grupo criminoso ligado ao tráfico de drogas e que contaria também com a participação de menores de idade.
Segundo o delegado Italo Fernandes, da Delegacia de Homicídios de Contagem, os espancamentos eram empregados como instrumento de intimidação e de manutenção do controle sobre moradores e pessoas que circulavam na área. A investigação indicou ainda que os suspeitos possuíam diferentes tipos de armas e movimentavam grande quantidade de drogas na região do condomínio.
“Verificamos que eles possuíam diversos tipos de armamentos e mantinham um tráfico intenso de drogas na região. Também constatamos que agrediam pessoas para impor respeito. As agressões eram utilizadas para cobrar dívidas e castigar indivíduos que agiam em desacordo com a vontade das lideranças da organização criminosa. Algumas dessas vítimas morreram, como no caso registrado no final de 2024”, afirmou o delegado.
Outro homem morreu após agressão em agosto de 2026
Durante o avanço das diligências, a Polícia Civil registrou um segundo homicídio no mesmo endereço, em agosto de 2026. Conforme a corporação, um homem foi espancado até a morte depois de supostamente apresentar um comprovante falso de Pix para pagar uma dívida relacionada à compra de drogas.
O levantamento policial também apontou que o condomínio Vista Alegre concentra mais ocorrências policiais do que o restante do bairro Maracanã. Desde 2023, foram contabilizados 154 registros relacionados ao tráfico de drogas no conjunto habitacional. Segundo a PCMG, parte dessas ocorrências também inclui relatos de agressões.
“Fizemos um trabalho de inteligência e identificamos que, de 2023 para cá, foram registradas mais de 150 ocorrências no local, principalmente relacionadas ao tráfico de drogas”, declarou Italo Fernandes.
Material apreendido será analisado pelos investigadores
Além do adolescente apreendido em flagrante, os policiais recolheram uma quantidade significativa de diferentes tipos de entorpecentes durante a operação. Também foram apreendidos aparelhos telefônicos, que serão submetidos à análise para auxiliar na identificação de outros integrantes do grupo e esclarecer a participação de cada suspeito nos crimes investigados.
O adolescente de 16 anos é apontado pelos investigadores como envolvido na comercialização de drogas na região. A apreensão ocorreu enquanto as equipes cumpriam os 20 mandados no condomínio Vista Alegre.
O inquérito ainda não foi concluído. A expectativa da Polícia Civil é que as informações encontradas nos celulares e nos demais materiais recolhidos contribuam para localizar outras pessoas ligadas ao tráfico e aos homicídios atribuídos à organização criminosa.
Embora algumas publicações feitas por investigados nas redes sociais façam referência ao Comando Vermelho (CV), a PCMG informou que ainda não existem elementos suficientes para confirmar qualquer vínculo entre o grupo que atua no condomínio e a facção criminosa. A principal hipótese da investigação, neste momento, é de que os suspeitos integrem uma organização criminosa local.
“A princípio, consideramos que se trata de um grupo local. Apesar de, em algumas postagens, eles fazerem alusão ao Comando Vermelho, não temos indícios fortes que permitam estabelecer essa ligação”, afirmou Italo Fernandes.








