Uma estrutura enterrada, possivelmente ligada a um antigo complexo religioso, foi identificada na região onde existia a cidade egípcia de Buto. A descoberta começou a partir da análise de imagens do Sentinel-1, satélite da Agência Espacial Europeia (ESA), e foi posteriormente confirmada por escavações arqueológicas. Os resultados do estudo foram publicados em março na revista científica Acta Geophysica.
O levantamento faz parte de uma investigação voltada à localização de vestígios arqueológicos ocultos sob o solo do Egito. Por meio das imagens de satélite, os pesquisadores puderam examinar uma área ampla e procurar alterações no terreno que indicassem a presença de construções não visíveis na superfície. Esse procedimento levou a equipe a concentrar a análise em uma área correspondente ao antigo assentamento de Buto.
As informações obtidas remotamente foram complementadas por um levantamento subterrâneo realizado com técnicas de tomografia. O método permitiu analisar as camadas existentes abaixo do solo e estimar a configuração da estrutura antes da abertura das escavações. De acordo com os dados, havia paredes construídas com tijolos de barro e apoiadas sobre uma camada de areia.
A investigação de campo serviu para verificar se a interpretação feita a partir das imagens e dos dados tomográficos correspondia ao que estava efetivamente enterrado. Os arqueólogos escavaram o terreno até uma profundidade situada entre 6 e 7 metros. Nesse ponto, encontraram as paredes nas posições indicadas pelo levantamento realizado anteriormente.
A coincidência entre a localização prevista pelas técnicas de sensoriamento e o material encontrado durante a escavação reforçou a conclusão de que se tratava de uma construção subterrânea. A confirmação também demonstrou a utilidade da combinação entre imagens de satélite, análise tomográfica e métodos arqueológicos convencionais para investigar áreas extensas.
Objetos encontrados reforçam a hipótese de uso religioso
A possível função religiosa do complexo foi considerada a partir dos artefatos localizados durante os trabalhos. Entre os materiais descobertos estavam amuletos com representações de divindades egípcias e uma bacia usada para oferendas. Para os pesquisadores, a presença desses objetos sugere que o espaço poderia estar relacionado a práticas religiosas, e não apenas a uma ocupação residencial ou a outra atividade comum.
As características arquitetônicas observadas e os objetos encontrados levaram a equipe a estimar que a construção tenha sido erguida entre os séculos 8 e 6 a.C. Apesar dessa estimativa, os pesquisadores ainda não determinaram com precisão a função de cada setor do complexo. A definição dependerá da continuidade das escavações e da análise dos vestígios identificados no local.
A área de Buto, portanto, pode oferecer novas informações sobre a ocupação antiga da região. A identificação de uma estrutura a vários metros de profundidade indica que parte do assentamento permanece escondida sob o solo, dificultando a localização apenas por meio de observações na superfície.
O estudo seguiu uma sequência de investigação em três etapas. Primeiro, as imagens do Sentinel-1 apontaram a possibilidade de haver uma construção enterrada. Em seguida, a tomografia permitiu obter detalhes sobre a disposição das camadas e das paredes. Por fim, as escavações confirmaram fisicamente a existência dos elementos indicados pelos levantamentos.
Os pesquisadores planejam prosseguir com as buscas no terreno de Buto. A equipe pretende aplicar novamente a combinação de imagens de satélite, análise das estruturas subterrâneas e escavações de confirmação para verificar se existem outras construções ocultas. A expectativa é ampliar o conhecimento sobre o antigo assentamento e esclarecer melhor a organização e a finalidade do possível complexo religioso.









