O filme independente “Feito Pipa” foi escolhido para representar o Brasil na corrida pelo Oscar e passou a receber atenção internacional por apresentar uma visão diversa da produção cinematográfica nacional. Para os realizadores e integrantes do elenco, a seleção destaca uma obra marcada por outra paisagem brasileira, uma região diferente, um elenco próprio e uma temática ainda pouco associada à imagem do país no exterior.
A escolha foi celebrada pelo ator Lázaro Ramos, que considera a participação na disputa uma oportunidade importante para ampliar a visibilidade do longa. Segundo ele, o filme merece ser conhecido e debatido, embora a principal forma de reconhecimento continue sendo a presença dos espectadores nas salas de cinema.
Na avaliação de Lázaro, “Feito Pipa” talvez não alcançasse o mesmo nível de exposição sem a possibilidade de representar o Brasil na premiação. A indicação, portanto, funciona como uma vitrine internacional para a produção, mas também reforça a importância de uma obra que amplia as formas de retratar o país.
O ator destacou que o longa se diferencia por reunir elementos que nem sempre aparecem na representação brasileira levada ao público estrangeiro. A combinação entre a região retratada, a paisagem, o elenco e o tema contribui, segundo ele, para evidenciar a variedade existente no cinema nacional.
Lázaro também afirmou que a equipe tem trabalhado intensamente, embora ainda não seja possível prever até onde o filme poderá chegar na competição. Para ele, independentemente do resultado, a produção já alcançou uma etapa relevante ao ser escolhida para representar o país.
Produção independente ganha espaço na disputa
O diretor Allan Deberton também comemorou a seleção de “Feito Pipa”. Para ele, a presença de um filme independente na corrida pelo Oscar amplia as oportunidades para obras que não fazem parte do circuito mais tradicional da indústria cinematográfica.
A participação do longa ocorre em um momento em que o setor discutia principalmente a janela de exibição dos filmes nos cinemas. Com a entrada de “Feito Pipa” na disputa internacional, o debate passa a contemplar também a diversidade das narrativas brasileiras e a capacidade de diferentes produções alcançarem reconhecimento fora dos caminhos mais convencionais.
Na visão de Deberton, a escolha ajuda a abrir espaço para outras cinematografias e mostra que a produção brasileira reúne histórias, cenários e perspectivas variadas. A trajetória do longa, nesse sentido, é apresentada como uma oportunidade de ampliar a percepção sobre o cinema feito no país.
Elenco acompanha disputa com expectativa
A possibilidade de avanço na competição também mobiliza os integrantes do elenco. A atriz Teca Pereira afirmou que o momento é vivido com tensão, especialmente por causa da atenção de Hollywood, mas ressaltou que o sentimento predominante entre os envolvidos é de comemoração pela trajetória construída pelo filme.
Teca descreveu “Feito Pipa” como uma obra delicada, importante e necessária. Também classificou a produção como uma expressão de “amor puro” e afirmou que a mensagem do longa pode alcançar públicos diferentes.
Para a atriz, a história tem potencial para provocar identificação nos espectadores. A expectativa é que as pessoas reconheçam na tela elementos capazes de dialogar diretamente com suas próprias experiências e percebam a relevância da narrativa apresentada.
Apesar da projeção internacional proporcionada pela corrida ao Oscar, a equipe mantém como prioridade a recepção do público. A bilheteria e a ocupação das salas de cinema são apontadas como os principais indicadores de que o filme conseguiu estabelecer uma conexão real com os espectadores.
Por isso, os envolvidos definem o encontro com o público como o verdadeiro “Oscar” da produção. A premiação pode ampliar o alcance de “Feito Pipa”, mas o objetivo central permanece levar o longa às salas e garantir que sua história seja vista e reconhecida por quem acompanha o cinema brasileiro.









