O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) respondeu nesta quarta-feira (22), sobre uma reportagem que revelou a contratação de seu escritório de advocacia por uma empresa ligada à consultoria Copenhagen, que recebeu repasses milionários do Banco Master. Em vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar negou qualquer irregularidade, afirmou que a relação profissional foi “completamente legal e privada” e disse ser alvo de uma tentativa de desgastar sua candidatura.
A manifestação foi dada após o portal Metrópoles informar que o escritório do qual Flávio é sócio recebeu R$ 500 mil da empresa Contábil Correa pela prestação de serviços jurídicos. A reportagem também revelou que duas notas fiscais emitidas pelo escritório para a Copenhagen, no valor total de R$ 1 milhão, foram posteriormente canceladas.
No vídeo, Flávio confirmou que prestou serviços à Contábil Correa, mas afirmou que recusou uma contratação da Copenhagen e, por isso, as notas fiscais foram canceladas antes de qualquer pagamento: “Eu fiz um trabalho para uma empresa, fui contratado para isso, prestei serviços advocatícios. Relação completamente legal e privada. Em outra oportunidade, eu não aceitei trabalhar para essa empresa chamada Copenhagen. Cancelei duas notas fiscais.”
Segundo o senador, a Copenhagen teria sido utilizada pelo empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, para realizar pagamentos a terceiros, mas ele afirma que isso não ocorreu em seu caso: “Não foi o meu caso. Estou tendo que explicar porque eu não recebi o dinheiro dessa empresa, porque eu não quis trabalhar para ela.”
Durante a manifestação, Flávio Bolsonaro acusou o portal de publicar uma reportagem com o objetivo de atingir sua imagem e afirmou que sua versão dos fatos não foi contemplada: “O Metrópoles faz uma matéria criminosa querendo marginalizar a advocacia.”
O senador também afirmou que o próprio veículo de comunicação manteve relação comercial com a Copenhagen: “O que falar, por exemplo, de vocês, Metrópoles, que receberam R$ 1,2 milhão dessa empresa Copenhagen? O dinheiro que vocês receberam tem algum problema ou é só o dinheiro que eu não recebi que vocês querem dizer que tem problema?”
Flávio afirmou que os novos questionamentos ocorrem em razão do desempenho de sua pré-candidatura nas pesquisas eleitorais: “Tem muita gente muito incomodada com a minha candidatura à Presidência da República, principalmente pelos números.”
Sem apresentar provas, o senador também levantou a suspeita de que informações fiscais de seu escritório teriam sido obtidas de forma ilegal e repassadas à imprensa: “Algum órgão governamental pega isso criminosamente, quebrando o meu sigilo, sem investigação formal, sem autorização judicial, e vaza isso para a imprensa.”
A reportagem do Metrópoles mostrou que o escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro emitiu uma nota fiscal de R$ 500 mil para a Contábil Correa em abril de 2025, referente à prestação de serviços jurídicos.
Segundo documentos obtidos pela CPI do Crime Organizado, a Contábil Correa tem como único sócio Rogério Lourenço Novo, que também dirige a consultoria Copenhagen. A comissão identificou que o Banco Master realizou repasses de aproximadamente R$ 57,9 milhões para a Copenhagen entre 2024 e 2025.
A reportagem também revelou que o escritório de Flávio chegou a emitir duas notas fiscais para a Copenhagen, totalizando R$ 1 milhão, mas ambas foram canceladas. O senador afirma que o contrato nunca foi efetivado e que não houve qualquer movimentação financeira envolvendo essas notas.
Em maio, vieram à tona mensagens que mostravam negociações entre Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro sobre o financiamento do filme Dark Horse, um filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. A apuração sobre esse financiamento tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro André Mendonça. Até o momento, Flávio Bolsonaro não é investigado no inquérito relacionado ao Banco Master.








