O falecimento de Preta Gil completou um ano na última segunda-feira (20), marco que coincidiu com o lançamento de duas homenagens em formato documental dentro do especial “Quanto Mais Preta, Melhor”. Embora as obras partam da mesma personagem central, elas nasceram de um desentendimento entre os familiares e os amigos da cantora, que seguiram caminhos distintos para contar a sua história.
A divisão entre as equipes envolvidas nos projetos ficou evidente durante o desenvolvimento das produções. Flora Gil, madrasta de Preta, optou por conduzir separadamente o documentário voltado à esfera familiar, intitulado “Meu Nome é Preta”. A ideia foi concentrar depoimentos no âmbito dos familiares da artista, buscando delinear uma trajetória mais próxima aos laços de sangue e às experiências compartilhadas no círculo próximo.
“Meu Nome é Preta” estreou no dia 20 e ganhou exibição semanal até 8 de agosto, data que marcaria o aniversário seguinte de Preta Gil. Enquanto isso, os amigos da cantora ficaram à frente de “Preta: Eu Não Ando Só”, produção do Globoplay. De acordo com informações obtidas pela reportagem, o projeto refletia um desejo manifestado pela própria Preta ainda em vida. A proposta reuniu pessoas que acompanharam a cantora ao longo de sua trajetória e acabou seguindo um caminho distinto do adotado pela família, oferecendo uma leitura de sua vida sob a ótica daqueles que estiveram ao seu lado em diferentes fases.”
Conflito externo molda a forma de retratar a história
Os bastidores da divisão voltaram a ganhar repercussão justamente no primeiro aniversário da morte da artista. Naquela data, Flora Gil publicou uma homenagem nas redes sociais citando amigos que acompanharam Preta ao longo de sua vida. No entanto, a reação dos fãs ganhou força com a ausência de Malu Barbosa na publicação. Malu era apontada como uma das amigas mais próximas da cantora, tendo acompanhado Preta durante os três anos de tratamento contra a doença. A lacuna entre a menção de alguns interlocutores e a ausência de outros alimentou especulações sobre o distanciamento entre os dois grupos envolvidos nas produções.
Entre os bastidores, a falta de alinhamento entre a família e o conjunto de amigos é apontada como o principal motivo para a consolidação de duas obras independentes, cada uma refletindo uma parcela distinta da vida de Preta Gil. Enquanto “Meu Nome é Preta” oferece uma visão centrada nos laços familiares, “Preta: Eu Não Ando Só” privilegia a memória construída por pessoas que acompanharam a artista ao longo de diferentes momentos, sob gestão de equipes que ocuparam espaços variados no convívio com a cantora. A matemática factual não se desloca: ambas as produções foram consolidadas no âmbito do especial dedicado à memória de Preta Gil, mas optaram por narrativas paralelas para ampliar o mosaico de sua trajetória.








