Os advogados de Elon Musk enviaram uma notificação formal aos produtores de um novo documentário de quatro horas que retrata a trajetória do bilionário, alegando que o filme apresenta conteúdo difamatório. A ação ocorreu pouco antes da estreia da produção, marcada para a terça-feira, dia 8 de setembro, durante o Festival de Cinema de Veneza, na Itália. A carta foi dirigida a um representante da Jigsaw Productions, responsável pelo filme, e foi assinada pelo advogado Alex Spiro.
Na comunicação, Spiro acusa o documentarista vencedor do Oscar, Alex Gibney, de construir o filme intitulado “Musk” com uma narrativa que já parte de uma conclusão pré-definida. Segundo a carta, datada de 3 de setembro, Gibney teria se recusado a verificar os fatos apresentados no documentário com Elon Musk, considerado o homem mais rico do mundo, ou com pessoas próximas a ele. Spiro afirma ainda que o projeto não teria iniciado como uma investigação imparcial, mas sim com uma conclusão já estabelecida, o que, segundo ele, compromete a integridade da obra.
O documentário, que estreou no Festival de Veneza, recebeu uma longa ovação de pé e foi bem recebido pela crítica especializada. A produção revisita a carreira e a vida pessoal de Musk, que nasceu na África do Sul, abordando desde seus primeiros anos como empresário no Vale do Silício, no início dos anos 2000, até sua ascensão ao status de primeiro trilionário do mundo. Além do percurso profissional, o filme também explora aspectos de sua vida privada, incluindo sua infância difícil e os 14 filhos conhecidos que Musk possui com diferentes mulheres.
A recepção crítica foi intensa, com a revista Variety classificando a obra como um “retrato devastador”, enquanto o site Deadline descreveu o documentário como “arrasador”, destacando que a narrativa retrata Musk como uma figura “mesquinha, narcisista, megalomaníaca e cruel”. Essas avaliações reforçam a controvérsia que cerca o filme, que expõe uma visão crítica da trajetória do empresário.
A notificação enviada por Spiro não se limita a Gibney e à Jigsaw Productions. Ela também avisa sobre possíveis ações contra todas as empresas envolvidas na distribuição e exibição do filme, incluindo a HBO, a Bleecker Street e a Universal. A intenção, segundo o advogado, é alertar que qualquer tentativa de lançamento ou divulgação do documentário que contenha alegações difamatórias poderá ser alvo de medidas legais.
Em resposta, a Jigsaw Productions declarou ao The Hollywood Reporter que o escrutínio de figuras públicas, mesmo quando criticado, é protegido pela Primeira Emenda à Constituição dos Estados Unidos. A produtora destacou que esse direito de expressão deve ser defendido por todos os cidadãos, inclusive por aqueles que, como Musk, se autodenominam defensores da liberdade de expressão.
Alex Gibney, o diretor do filme, é conhecido por seu trabalho investigativo em temas de grande relevância social e política, tendo recebido o Oscar de melhor documentário por “Taxi to the Dark Side”, que analisa as práticas de interrogatório do Exército dos Estados Unidos durante a guerra no Afeganistão. Sua trajetória inclui investigações sobre grupos poderosos, como a Igreja da Cientologia, a corporação Enron e conflitos de espionagem entre Israel e Irã.
A ação judicial de Musk e seus representantes evidencia o clima de controvérsia que permeia a produção, levantando debates sobre os limites da liberdade de expressão e o direito à imagem de figuras públicas em produções audiovisuais.









