O aguardado novo título da Insomniac Games, Marvel’s Wolverine, chega ao PlayStation 5 com destaque para seu visual de alta qualidade, combates violentos e uma jogabilidade que promete momentos de ação intensos. Desenvolvido pela mesma equipe responsável por Marvel’s Spider-Man, o jogo busca transformar o potencial do personagem, conhecido por suas garras de adamantium, fator de cura e personalidade explosiva, em uma experiência própria. No entanto, apesar do excelente acabamento técnico, a narrativa apresenta dificuldades em equilibrar referências ao universo mutante e o foco na história do protagonista.
A trama se passa em um universo onde os X-Men ainda não se formaram como equipe. Nesse cenário, liderado por Bolivar Trask, há uma ofensiva contra os mutantes, com as Sentinelas — robôs criados pelo vilão — desempenhando papel central. A narrativa acompanha Wolverine, Mística e Dentes de Sabre na formação da chamada Equipe X, liderada por Nathaniel Essex. A introdução do conflito, envolvendo uma possível guerra entre humanos e mutantes, cria uma expectativa promissora, especialmente pela presença de Trask e suas Sentinelas, que elevam a sensação de ameaça ao personagem de Logan.
Porém, a história perde força ao tentar ampliar o conflito para uma escala global, com Wolverine sendo levado a diferentes regiões do planeta. A sensação de perigo mundial, contudo, não é bem transmitida, pois os locais visitados não demonstram claramente os efeitos do conflito, deixando a sensação de que a ameaça de Trask é mais uma obsessão pessoal do vilão do que uma ameaça real de alcance global. Além disso, o roteiro acumula uma quantidade excessiva de referências, personagens e conceitos ligados aos X-Men, o que, embora agrade aos fãs, acaba desviando o foco da narrativa principal, que deveria ser centrada na trajetória de Wolverine.
A abordagem de Insomniac para o personagem apresenta Wolverine mais contido e introspectivo, diferentemente do que se espera de uma figura tão explosiva. Logan mantém sua brutalidade nas batalhas, mas passa grande parte do tempo reagindo às ações de terceiros ou seguindo ordens, o que reduz a profundidade de sua jornada emocional. A narrativa não aprofunda suficientemente seus traumas, conflitos internos ou dilemas pessoais, preferindo utilizá-lo como uma porta de entrada para uma história maior sobre o universo mutante. Os momentos em que o personagem se conecta mais diretamente com os planos de Essex ou enfrenta Trask e suas Sentinelas funcionam melhor, pois justificam sua fúria e a violência nos combates.
Entretanto, esses focos se dispersam rapidamente, com a inclusão de sequências, como uma passagem pelo Japão, que parecem mais por peso na mitologia do personagem do que por necessidade narrativa. O passado de Logan também poderia ter recebido maior atenção, mas as revelações são dispersas por atividades opcionais, como as “portas mentais”, que oferecem áudios sobre seus eventos passados, porém sem cenas mais elaboradas que poderiam aumentar o impacto emocional dessas revelações.
Nos combates, Marvel’s Wolverine demonstra sua característica mais marcante: a brutalidade. As batalhas são rápidas, sangrentas e transmitem bem o peso dos golpes, com as garras deixando marcas visíveis nos inimigos e as finalizações reforçando a imagem de Logan como uma máquina de combate. O sistema de progressão permite desbloquear habilidades, técnicas especiais e aprimorar atributos como dano, defesa, regeneração e faro. A barra de fúria, dividida em três estágios, aumenta a agressividade do personagem, permitindo causar mais dano e sobreviver a situações extremas.
Apesar do bom desempenho inicial, o sistema de combate revela-se pouco evoluído ao longo da campanha, com combos relativamente simples e batalhas que muitas vezes repetem estruturas similares, especialmente ao enfrentar grupos maiores ou inimigos mais resistentes. Logan pode ser interrompido na regeneração se receber golpes consecutivos, e o combate exige atenção às regras de esquiva, bloqueio e contra-ataque, o que mantém o jogador atento, mas limita a variedade de estratégias.
A estrutura do jogo não segue o formato de mundo aberto usado em outros títulos da Insomniac, como Marvel’s Spider-Man, optando por fases lineares com aproximadamente 30 missões e uma campanha que pode ultrapassar 20 horas, além de atividades opcionais que aumentam a duração. Cada fase combina exploração, confrontos, perseguições e áreas escondidas, oferecendo opções de abordagem furtiva ou direta. Os cenários, embora não sejam vastos, apresentam espaços que permitem ao jogador escolher como iniciar os combates, evitando a sensação de ambientes apenas corredores.
O conteúdo adicional inclui trajes, variações de garras e colecionáveis espalhados pelos cenários, embora esses itens tenham funções limitadas, como aumentar a vida de Logan, sem impacto significativo na jogabilidade. Após a conclusão da campanha, o modo Novo Jogo+ oferece a possibilidade de reiniciar a história com melhorias e técnicas adicionais, incentivando uma nova experiência com Wolverine mais poderoso.
Em suma, Marvel’s Wolverine entrega a violência e o visual de alta qualidade esperados, com combates visceralmente satisfatórios e cenários variados que sustentam uma campanha de duração considerável. Contudo, a narrativa dispersa, que tenta explorar demais a mitologia mutante sem aprofundar o protagonista, acaba prejudicando a experiência. Apesar das limitações, o jogo demonstra que Wolverine é um personagem que funciona bem fora dos quadrinhos e do cinema, e a Insomniac construiu uma base promissora para futuras aventuras do herói. A estreia oficial está prevista para 15 de setembro de 2026, com análise realizada com cópia fornecida pela PlayStation.









