Os planos de governo apresentados pelos candidatos ao cargo de governador de Minas Gerais, registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), revelam convergências e divergências em relação às prioridades e estratégias para a área de educação no estado. Apesar de compartilharem a percepção de que o ensino médio representa o estágio mais crítico do sistema educacional e de reconhecerem a importância da valorização dos professores como condição essencial para avanços, os candidatos divergem em temas específicos, como o papel das avaliações, o modelo de gestão escolar e o uso de tecnologia em sala de aula.
A análise dos documentos oficiais, disponibilizados na plataforma DivulgaCand do TSE, evidencia que as propostas variam significativamente em termos de ações concretas e de foco. Os seis principais postulantes ao Palácio Tiradentes apresentam ideias distintas, embora alguns pontos de consenso sejam perceptíveis. O plano de Cleitinho Azevedo, por exemplo, concentra-se na recuperação do conteúdo que os estudantes deixaram de aprender, na reforma das escolas e na aproximação do ensino técnico ao mercado de trabalho regional. Sua proposta busca, assim, fortalecer a formação prática e a empregabilidade dos jovens.
Já o plano de Flávio Roscoe parte de uma contradição apontada no próprio diagnóstico de sua campanha: embora Minas tenha melhorado sua alfabetização inicial, passando da sétima para a terceira colocação no país, os estudantes tendem a apresentar desempenho cada vez pior ao longo dos anos seguintes. Segundo o documento, dados do Simave 2025 indicam que 67,3% dos estudantes da 1ª série do ensino médio estão abaixo do nível recomendado em português, enquanto 90,1% apresentam dificuldades em matemática, revelando um agravamento do aprendizado ao avançar na escolaridade.
O plano de Gabriel Azevedo reforça a ideia de que “a escola garante a vaga, mas ainda não garante a aprendizagem”, destacando o baixo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do ensino médio, que atingiu 4,5 — abaixo da meta de 5,5 estabelecida pelo governo estadual. Essa proposta enfatiza a necessidade de melhorias na qualidade do ensino, com foco na efetivação de políticas que promovam o desenvolvimento efetivo dos estudantes.
Mateus Simões, atual governador e candidato à reeleição, destaca em seu plano que Minas possui a maior rede estadual de ensino básico do país e que, nos últimos anos, houve avanços nos indicadores educacionais. Contudo, aponta o ensino médio como o principal desafio, devido ao atraso na aprendizagem, ao elevado abandono escolar e às desigualdades regionais, propondo ações para combater essas questões de forma mais efetiva.
Patrus Ananias, por sua vez, apresenta uma abordagem que trata a educação como um direito fundamental, afirmando que o aprendizado também depende de fatores como saúde, alimentação, moradia e condições de vida, reforçando a necessidade de políticas integradas para o desenvolvimento educacional e social.
Por fim, o plano de Alexandre Kalil sustenta que não há como cobrar resultados de escolas que carecem de estrutura adequada para funcionar. Sua proposta de “qualidade social” inclui a valorização do professor, a manutenção de bibliotecas com livros, laboratórios operantes, quadras esportivas e prédios em boas condições de uso, defendendo uma base sólida para o funcionamento das instituições de ensino.
De acordo com uma pesquisa Datafolha divulgada em 21 de agosto, Cleitinho Azevedo lidera as intenções de voto no cenário estimulado para o primeiro turno, com 32%. Alexandre Kalil e Patrus Ananias aparecem empatados na segunda colocação, ambos com 12%. Na sequência, aparecem Flávio Roscoe, Mateus Simões e Gabriel Azevedo, cada um com 4%, enquanto outras candidaturas somam 2% ou menos. Brancos, nulos e indecisos representam 14%, e 13% dos entrevistados não souberam responder. A pesquisa ouviu 1.204 eleitores entre os dias 18 e 20 de agosto, com uma margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos, e está registrada sob o número MG-00446/2026 no TSE.









