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Moradora afetada por incêndio na fábrica da Suggar permanece há 20 dias em alojamentos provisórios em Belo Horizonte

26/08/2026
Em Grande BH
Tempo de leitura:4 minutos de leitura
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Após 20 dias do incêndio que destruiu parte da fábrica da Suggar, localizada no bairro Pilar, na região do Barreiro, em Belo Horizonte, Elisângela Silva Brás, de 47 anos, ainda aguarda uma definição sobre seu retorno à residência original. Desde a noite do dia 6 de agosto, quando o fogo atingiu a unidade da empresa, ela passou por quatro diferentes moradias provisórias, atualmente residindo em um apartamento no bairro Santo Antônio, na região Centro-sul da capital mineira. Sua mãe, que sofre de Alzheimer em estágio avançado, permanece em uma residência alugada por familiares, na mesma área, junto com outras pessoas atingidas pelo incidente.

A casa onde Elisângela vivia com a mãe, uma irmã e uma sobrinha com síndrome de Down foi isolada preventivamente pela Defesa Civil devido aos riscos estruturais decorrentes do incêndio. Outras duas residências do mesmo lote também sofreram danos, e o incêndio se estendeu por toda a madrugada de 6 para 7 de agosto, causando destruição em um galpão da Suggar e colapso de partes da estrutura. O episódio ocorreu durante a noite, por volta das 23h50, e foi somente quase duas horas depois que os moradores acionaram o Corpo de Bombeiros, às 0h48, devido à demora na percepção do incêndio.

O fogo destruiu um dos galpões da fábrica, provocando o colapso do telhado e de outras estruturas, além de atingir diretamente uma residência próxima. Elisângela relata que, ao perceber as chamas, saiu de casa com a irmã e a mãe, sem tempo de salvar pertences ou documentos, levando apenas roupas de pijama. Ela descreveu a cena como “um cenário de guerra”, devido à intensidade das chamas e ao caos gerado. Durante a evacuação, uma sobrinha com síndrome de Down resistiu a sair da residência atingida, sendo retirada por um rapaz que estava no local.

A moradora estima que o incêndio começou por volta das 23h50 e que, ao chegar ao local, as chamas já estavam altas. A destruição atingiu também a residência de Elisângela, que teve partes do telhado e um pé de abacate queimados, além de objetos pessoais, como roupas, calçados e lembranças do pai, que faleceu cerca de um ano antes do incidente. Entre os itens destruídos, estavam objetos de valor emocional, como um banco de madeira que guardava a memória do pai da família. Uma galinha também morreu durante o incêndio, que danificou ainda a caixa d’água e o muro de uma das casas do lote, além de afetar uma horta cultivada pela família.

Sem para onde ir, Elisângela passou suas primeiras noites na casa de um irmão, no bairro Pilar, e posteriormente na residência de outra irmã, também na mesma região. A Suggar providenciou uma moradia temporária no bairro Marajó, na região Oeste de Belo Horizonte, mas a residência apresentava escadas que dificultavam a mobilidade da mãe de Elisângela, que precisa de cuidados especiais. Após cerca de uma semana, ela foi transferida sozinha, com suas cachorras, para um apartamento no bairro Santo Antônio, onde permanece até o momento. A expectativa inicial era de uma permanência breve, mas a estadia foi prolongada, enquanto sua mãe permanece em outro imóvel alugado pela empresa no bairro Pilar, junto com outros familiares também isolados devido à estrutura comprometida.

Além das dificuldades relacionadas às mudanças de endereço, Elisângela denuncia a ausência de suporte adequado por parte da Suggar após o incêndio. Ao chegar ao apartamento provisório, ela encontrou móveis, mas não havia alimentos ou itens essenciais para a rotina diária, como fósforos ou alimentos básicos. Ela também relata que o imóvel não dispõe de espaço adequado para manter suas cachorras de estimação. Sua principal preocupação atualmente é obter um endereço fixo enquanto sua residência original permanece interditada. Apesar de ter tentado negociar uma nova moradia, ela afirma que a negociação não avançou.

A moradora também critica a falta de acompanhamento por parte de órgãos públicos após a evacuação. Segundo ela, a Defesa Civil realizou uma vistoria e determinou o isolamento preventivo das casas, mas não houve assistência social, médica ou jurídica subsequente. Elisângela afirmou ter procurado órgãos públicos por conta própria em busca de orientações, sem sucesso.

A Defesa Civil de Belo Horizonte informou, por meio de nota, que mantém as medidas de isolamento preventivo nas três residências do lote afetado, devido ao risco de desabamento ou colapso estrutural. Segundo o órgão, os imóveis não foram atingidos diretamente pelas chamas, mas permanecem interditados por segurança. As avaliações realizadas nos galpões destruídos indicam diferentes níveis de comprometimento estrutural, incluindo risco de desabamento parcial ou total, o que justifica a continuidade do isolamento. Ainda não há previsão para a liberação das casas, enquanto as estruturas continuam sendo monitoradas.

Para Elisângela, os efeitos do incêndio vão além do dano material. A separação da família, a perda de objetos de valor sentimental e a indefinição sobre o futuro da residência aumentam sua sensação de insegurança. A situação emocional agravou-se por ocorrer às vésperas do Dia dos Pais, uma data difícil para a família após a perda do pai. Ela relata que solicitou acompanhamento psicológico durante o período de deslocamento, mas não recebeu esse suporte.

A Suggar afirmou que está prestando assistência às famílias afetadas e que, até o momento, duas das três famílias já estão em imóveis alugados pela empresa por tempo indeterminado. A terceira, que atualmente reside em uma residência provisória, escolheu uma moradia definitiva, com toda a documentação já entregue para assinatura do contrato. A expectativa é que a mudança seja concluída em breve, garantindo uma solução mais permanente para a família.

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