A Serra do Pires, localizada no município de Congonhas, na região Central de Minas Gerais, passará por um processo de valorização ambiental e científica por meio da implementação de uma área de proteção ambiental e de um observatório planetário conectado ao Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA). Os projetos integram um pacote de investimentos total de R$ 30 milhões, anunciado na segunda-feira (24 de agosto) pela Prefeitura de Congonhas em parceria com o Grupo J. Mendes.
Dessa quantia, R$ 15 milhões serão destinados à instalação do observatório e do planetário, que têm como objetivo ampliar o acesso da população ao conhecimento científico e fortalecer a pesquisa na área de astrofísica. Outros R$ 8 milhões serão utilizados para subsidiar tarifas de água potável e tratamento de esgoto, contribuindo para melhorias na infraestrutura urbana, enquanto R$ 7 milhões serão aplicados na requalificação urbana do bairro Pires, visando melhorias na qualidade de vida local. Os recursos públicos e privados serão repassados de forma parcelada, conforme cronograma estabelecido em termo de compromisso firmado entre a prefeitura e a empresa Ferro+, do Grupo J. Mendes.
Durante o evento de anúncio, o prefeito Anderson Cabido assinou o decreto que reconhece e protege oficialmente a Serra do Pires, além de protocolar na Câmara Municipal o projeto de lei que cria o Monumento Natural da Serra do Pires (Mona). A proposta, que visa à proteção de uma área de 207 hectares, será submetida à apreciação dos vereadores e, após sua aprovação, serão realizados estudos técnicos para o registro formal da área como Unidade de Conservação (UC) pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza.
O Monumento Natural é uma categoria de unidade de conservação de proteção integral, destinada a preservar áreas com elementos naturais raros, singulares ou de grande valor cênico. Sua criação implica restrições a atividades que possam causar danos ambientais, como desmatamento, mineração, construções e alterações no relevo. Segundo João Luís Lobo, secretário municipal de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, a região desempenha papel fundamental na conservação da biodiversidade e na segurança hídrica do município, uma vez que abriga matas, nascentes e fundos de vale que contribuem para a manutenção dos recursos hídricos e para a formação de corredores ecológicos.
Lobo destacou ainda que a preservação da Serra do Pires é essencial para garantir a segurança hídrica de Congonhas, além de valorizar a paisagem que é visível a partir do Santuário do Bom Jesus de Matozinhos, reconhecido como patrimônio mundial pela UNESCO, e que compõe o cenário dos profetas de Aleijadinho.
A iniciativa de criar um Observatório Planetário decorre de um convênio com a Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ), cuja previsão é de início das obras em 2027 e inauguração para o segundo semestre de 2028. O equipamento será utilizado como base para pesquisas realizadas pelos laboratórios de astrofísica do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) Campus Congonhas e da UFSJ Campus Alto Paraopeba, promovendo o desenvolvimento científico na região. Rina Dutra, secretária municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação, afirmou que o projeto busca aproximar a população do conhecimento científico, além de ampliar oportunidades de pesquisa e inovação, contribuindo para o desenvolvimento territorial e a projeção do município no cenário nacional.
Os recursos totais de R$ 30 milhões também contemplam obras de requalificação urbana no bairro Pires e subsídios tarifários de água e esgoto, reforçando o compromisso da administração municipal com melhorias ambientais, sociais e econômicas na região. Segundo Isaura Lourdes Teodoro Lopes, presidente da Associação Comunitária do Bairro Pires (Cobapi), a criação do Monumento Natural é resultado de um diálogo iniciado há cerca de dois anos entre a prefeitura, moradores, associações e a empresa responsável, refletindo o esforço conjunto para preservar a área e promover melhorias na qualidade de vida dos residentes. A expectativa é de que os investimentos tragam benefícios duradouros para a população local, fortalecendo o desenvolvimento sustentável na região.








