A produtora Karina Ferreira da Gama, responsável pela realização do filme “Dark Horse”, afirmou em entrevista exclusiva à CNN Brasil que sua atuação se limitou à produção do longa-metragem, sem participação na gestão de fundos ou na captação de recursos públicos. Ela também negou qualquer relação com emendas parlamentares e esclareceu que os recursos utilizados na produção eram exclusivamente privados, totalizando aproximadamente US$ 13,3 milhões.
Karina destacou que, durante o desenvolvimento do projeto, o orçamento passou por ajustes conforme o roteiro avançava, o que dificultou a definição do valor final inicialmente estimado. Segundo ela, o fundo Havengate foi sempre considerado o principal investidor, tendo realizado uma due diligence na produtora, na qual apresentou documentos pessoais e empresariais, mas sem envolvimento na origem dos recursos financeiros. A produtora reforçou que sua função era apenas executar a produção, após a aprovação do projeto e do orçamento pelo fundo.
A produtora também abordou as dificuldades financeiras enfrentadas no fim de 2025, quando a equipe já estava em plena filmagem, com 40 dias de gravações programados. Ela relatou que, diante de restrições orçamentárias, etapas do processo foram cortadas ou simplificadas para viabilizar a conclusão do filme. Ressaltou ainda que os recursos utilizados foram exclusivamente privados, afastando qualquer possibilidade de financiamento público ou de emendas parlamentares.
Questionada sobre suspeitas de que recursos repassados por Daniel Vorcaro tenham sido utilizados para outras finalidades, Karina afirmou que a produtora não recebeu dinheiro diretamente do investidor ou de empresas ligadas a ele. Ela explicou que o dinheiro, de acordo com informações divulgadas pela imprensa, teria sido destinado ao fundo Havengate, do qual ela não tinha conhecimento detalhado, já que essa não era sua atribuição. A produtora afirmou que só tomou conhecimento dessas informações por meio da mídia e que, por cláusulas de confidencialidade, não poderia divulgar contratos ou acordos comerciais às autoridades, apenas às instituições legais mediante solicitação formal.
Karina negou qualquer envolvimento com Vorcaro ou com empresas relacionadas a ele, reforçando que a relação da produtora é exclusivamente de contratada para a produção do filme. Ela também afirmou que “Dark Horse” não recebeu recursos de emendas parlamentares, esclarecendo que nunca houve projeto público para o longa. A produtora diferenciou o filme de outros projetos sociais que ela apoia, como o “Lutando pela Vida” e o “Jovem Empreendedor”, ambos voltados a iniciativas de inclusão social e empreendedorismo.
Sobre as investigações em andamento, Karina foi alvo da Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal na semana passada, que apura suspeitas de desvio de emendas parlamentares. Duas investigações relacionadas ao filme tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF): uma sob relatoria do ministro Flávio Dino, sobre as emendas, e outra com o ministro André Mendonça, que investiga repasses feitos por Daniel Vorcaro a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A produtora também abordou conflitos envolvendo um projeto de Wi-Fi, no qual alegou ter sofrido ameaças de um ex-fornecedor e de um ex-marido. Ela relatou que, após o descumprimento de obrigações por parte do fornecedor, houve uma tentativa de extorsão, com pedido de R$ 2,5 milhões para não prejudicar o projeto. Além disso, revelou ter sido procurada por um advogado que ofereceu apoio jurídico e sugeriu a possibilidade de uma delação premiada, alegando ter bom relacionamento no STF. Segundo Karina, um pastor amigo também entrou em contato oferecendo ajuda, inclusive com menção à possibilidade de delação, sem citar nomes específicos, incluindo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
A produtora atribui suas dificuldades atuais a preconceitos, perseguições políticas e interesses econômicos, afirmando que tem se sentido pressionada a apresentar versões dos fatos que atendam às expectativas de terceiros. Ela reforçou que sua atuação se restringe à produção do filme e de projetos sociais, afastando qualquer envolvimento com captação de recursos ou atividades ilícitas.
Karina também relembrou sua trajetória política, admitindo ter votado no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), decisão tomada após o atentado contra Jair Bolsonaro em 2018, que a levou a conhecer mais sobre a história do atual chefe do Executivo. Ela afirmou que, se estivesse produzindo um filme sobre Lula, provavelmente não enfrentaria censura, como acredita que ocorre atualmente com “Dark Horse”. A produtora declarou que a mesma distribuidora trabalhou em projetos relacionados a ambos os políticos, reforçando sua visão de que a censura estaria direcionada especificamente ao seu filme.
Por fim, Karina afirmou que, embora tivesse uma previsão de lançamento, atualmente não consegue avançar com a finalização do projeto devido às dificuldades financeiras e às pressões externas. Ela também expressou seu sentimento de estar sendo tratada como um possível “novo Mauro Cid”, figura militar investigada por supostas ações ilícitas, alegando que sua participação se limita à produção do filme e de projetos sociais, sem envolvimento em atividades criminosas. A produtora declarou que pretende colaborar com as autoridades dentro dos limites legais, mas questionou a justiça do sistema, alegando que seus direitos estariam sendo desrespeitados.








