A usina nuclear de Gravelines, localizada no norte da França, enfrentou pela segunda vez consecutiva uma interrupção na operação devido à presença massiva de águas-vivas em seus sistemas de captação de água do mar. O episódio mais recente ocorreu pouco mais de um ano após uma situação semelhante, que também resultou no desligamento temporário de parte dos reatores da unidade.
A instalação, que possui seis reatores, teve três deles desligados temporariamente após uma grande quantidade de águas-vivas se acumular nos sistemas de captação de água, essenciais para o resfriamento dos reatores. Especificamente, o reator 1 teve sua produção reduzida à metade como medida de precaução, enquanto o reator 5, que já se encontrava parado para manutenção, foi desligado temporariamente. O reator 6 continuou operando normalmente. A empresa responsável pela operação, a EDF, divulgou que, de acordo com informações enviadas ao Greenpeace, o episódio não representou riscos à segurança das instalações, dos trabalhadores ou do meio ambiente.
A usina de Gravelines está situada próxima ao Mar do Norte e utiliza um sistema de captação de água por meio de um canal que conduz o líquido até as instalações para resfriamento. Antes de chegar às áreas de operação, a água passa por estruturas projetadas para impedir a entrada de organismos e detritos, incluindo as águas-vivas. No entanto, quando há uma quantidade significativa desses animais, eles podem se acumular nos filtros, obstruindo o fluxo de água e reduzindo a eficiência do sistema de resfriamento.
A diminuição na capacidade de captação de água pode obrigar a usina a reduzir sua potência ou até mesmo realizar desligamentos preventivos dos reatores, como medida de segurança. É importante destacar que a presença de águas-vivas não implica que elas tenham entrado no núcleo dos reatores ou causado falhas nucleares diretas.
Para lidar com o problema, embarcações de pesca foram mobilizadas para ajudar na retirada das águas-vivas acumuladas, além do uso de caminhões equipados com sistemas de sucção. Essas ações fazem parte de um esforço coordenado para minimizar os impactos da invasão de organismos marinhos na operação da usina.
Este episódio reforça um padrão que já ocorreu entre os dias 10 e 11 de agosto de 2025, quando uma invasão maciça de águas-vivas levou ao desligamento automático de quatro reatores da mesma usina. Na ocasião, os dois reatores restantes também foram paralisados devido às manutenções em andamento, deixando toda a central temporariamente sem produção de energia. Naquele momento, a EDF afirmou que não houve riscos à segurança nuclear, apesar da interrupção.
Após o incidente de 2025, a operadora adotou diversas medidas preventivas, incluindo a instalação de câmeras nos sistemas de filtragem e no canal de entrada de água, além do treinamento de equipes específicas para responder rapidamente às invasões de águas-vivas. O monitoramento diário, o apoio de pescadores locais, a coleta de amostras no mar e a mobilização de embarcações quando grandes concentrações de animais são detectadas passaram a fazer parte do protocolo de segurança.
A presença de grandes enxames de águas-vivas na região é influenciada por fatores ambientais, como temperatura da água, correntes marítimas, disponibilidade de alimento e condições de reprodução. A recorrência do fenômeno evidencia um desafio constante para a região, mesmo com o reforço nas ações de monitoramento e controle, já que concentrações elevadas de águas-vivas podem ainda assim comprometer temporariamente a entrada de água na usina, levando à redução ou ao desligamento preventivo dos reatores.








