Uma pesquisa realizada pela Universidade de Birmingham, na Inglaterra, revelou que o formato e o funcionamento do TikTok podem contribuir para a confusão de jovens entre informações confiáveis e conteúdos enganosos relacionados à saúde mental. O estudo, publicado em 21 de agosto na revista Digital Health, analisou como pessoas na faixa etária de 16 a 25 anos avaliam e interpretam conteúdos sobre o tema na plataforma, destacando três principais desafios enfrentados pelos usuários.
A investigação, que contou com entrevistas e discussões em grupo com estudantes de diferentes regiões da Inglaterra, foi financiada pelo Conselho de Pesquisa Econômica e Social (ESRC). Os pesquisadores identificaram que os jovens têm dificuldades em distinguir conteúdos com os quais se identificam daqueles considerados confiáveis, além de perceberem o TikTok como um espaço predominantemente de entretenimento, muitas vezes associado a informações falsas ou superficiais. Essa percepção contribui para uma visão de que os vídeos sobre saúde mental são “divertidos, mas falsos”, mesmo quando os usuários reconhecem a possibilidade de informações enganosas circularem na plataforma.
Outro aspecto destacado pelo estudo é a forma como os jovens avaliam a credibilidade dos criadores de conteúdo. Em muitos casos, a identificação com o influenciador ou a aparência de autenticidade pesava mais do que critérios profissionais ou acadêmicos, como formação na área da saúde. Apesar de alguns participantes tentarem verificar a confiabilidade das informações, os sinais utilizados — como número de seguidores, comentários e estética visual — nem sempre indicavam credibilidade real.
Os pesquisadores também ressaltaram o impacto do funcionamento do algoritmo do TikTok, que apresenta vídeos de forma contínua e rápida, dificultando a reflexão e a avaliação crítica do conteúdo. Os jovens relataram que, mesmo tentando treinar o sistema por meio de curtidas ou pulando vídeos considerados inadequados, materiais potencialmente prejudiciais continuavam a aparecer, reforçando o consumo passivo e acelerado de informações.
Um estudo paralelo, que analisou 27 mil vídeos do TikTok, confirmou esses achados ao apontar a prevalência de influenciadores de bem-estar que recomendam suplementos para problemas de saúde mental, além da escassez de conteúdo útil e relevante voltado especificamente para jovens homens. Os resultados indicam que muitos vídeos não oferecem informações adequadas para quem busca apoio ou orientação.
As conclusões do levantamento ocorrem em um momento de debates no Reino Unido sobre novas regulamentações de segurança online, incluindo restrições para menores de 16 e 17 anos, previstas para entrar em vigor a partir de 2027, além de uma proibição nacional de uso de redes sociais por menores de 16 anos. No entanto, os pesquisadores destacam que a solução para combater a desinformação não se resume à produção de conteúdo correto, mas também envolve mudanças no funcionamento das plataformas, na construção de sinais de credibilidade e na responsabilização pelo design das redes sociais.
Segundo Ruth Page, professora da Universidade de Birmingham e líder do estudo, é necessário avançar além do esperado de que os jovens lidem sozinhos com a desinformação, promovendo uma alfabetização midiática que compreenda o funcionamento real das plataformas digitais. Ela defende a implementação de sistemas mais transparentes para verificar fontes confiáveis e maior responsabilização das plataformas pelo ambiente que criam, a fim de proteger o bem-estar dos jovens usuários.








