Pesquisadores da Universidade de Pequim e da Universidade Médica da Capital, na China, publicaram, no dia 17 de setembro, na revista científica PLOS Medicine, um estudo que analisa a relação entre os hábitos de sono e a incidência de múltiplas condições de saúde. A investigação, que utilizou dados de 95.559 adultos coletados pelo UK Biobank, revelou que uma maior quantidade de sono REM está relacionada a um menor risco de desenvolver 83 doenças, enquanto quem dorme menos de cinco horas por noite apresenta maior propensão a 37 enfermidades.
O estudo não estabelece uma relação de causa e efeito, mas aponta associações relevantes entre o padrão de sono e a saúde. Os pesquisadores observaram que, ao considerar o tempo total de sono, o risco de doenças não segue uma curva linear, ou seja, aumentar ou diminuir horas de sono nem sempre produz o mesmo efeito sobre a saúde. Para 69 das 86 condições de saúde analisadas que apresentaram relação significativa com a duração do sono, a faixa considerada mais benéfica foi entre seis e oito horas de sono por noite. Em contrapartida, o grupo de indivíduos que dormia menos de cinco horas apresentou um risco elevado para 37 doenças.
Segundo os autores, esses resultados reforçam a importância de uma duração de sono de seis a oito horas como fator de proteção para adultos de meia-idade e idosos, atribuindo esse efeito à distribuição mais favorável dos estágios do sono, especialmente o sono REM. O sono REM, caracterizado por atividade cerebral intensa e sonhos vívidos, foi associado a uma redução do risco de várias doenças, incluindo insuficiência cardíaca, demência e doença de Parkinson. A análise indicou que um aumento de aproximadamente 47,6 minutos nesta fase do sono corresponde a uma diminuição significativa nas chances de desenvolver essas condições, com razões de risco de 0,74, 0,54 e 0,20, respectivamente.
Além do sono REM, o estudo destacou a importância do sono profundo, fase na qual ocorre a recuperação física do organismo. Mais tempo nesta etapa também foi relacionado a menor risco de sete condições de saúde, como diabetes tipo 2 e transtorno depressivo maior. Os pesquisadores observaram ainda que a qualidade do sono não é determinada apenas pela quantidade de horas dormidas, mas também pela sua regularidade e composição. Pessoas com maior irregularidade nos horários de sono ou que permanecem acordadas por mais tempo após o início do descanso apresentaram maior incidência de problemas como ansiedade e transtornos relacionados ao uso de substâncias.
Para garantir maior precisão, a análise foi baseada em dados coletados por acelerômetros utilizados pelos participantes durante sete dias consecutivos, permitindo uma estimativa detalhada dos períodos de sono e vigília. Esses dispositivos forneceram informações sobre o tempo dedicado ao sono REM, sono profundo e leve, além do tempo total de descanso, períodos de vigília e variações nos horários de sono. O acompanhamento dos participantes durou cerca de nove anos, durante os quais os pesquisadores tiveram acesso a registros de saúde que possibilitaram identificar mais de mil desfechos de doenças relacionadas aos padrões de sono.
Ao final, o estudo identificou 156 associações estatisticamente significativas entre diferentes padrões de sono e as doenças observadas ao longo do período de acompanhamento, após aplicação de técnicas estatísticas que reduzem a possibilidade de resultados aleatórios. Esses achados reforçam a relevância de hábitos de sono adequados para a prevenção de diversas enfermidades, embora não possam afirmar que mudanças específicas na rotina de sono possam, por si só, evitar doenças, dada a complexidade dos fatores envolvidos na saúde.









