As consequências do naufrágio do navio Pallas, ocorrido em 1893 no rio Itajaí-Açu, em Santa Catarina, continuam a impactar a navegação na região mais de um século após o acidente. Os restos da embarcação permanecem submersos entre as boias 9 e 11, próximos à Bacia de Evolução nº 2, uma área frequentemente utilizada por veículos marítimos para realizar manobras de entrada e saída do canal portuário. A presença dos destroços, além de reduzir a profundidade do local, limita o alargamento da área, dificultando melhorias na navegação e comprometendo a segurança das operações marítimas na região.
A questão ganhou uma nova dimensão em maio deste ano, quando a Universidade do Vale do Itajaí (Univali), o Porto de Itajaí e a Autoridade Portuária Federal firmaram um convênio para a realização de estudos técnicos voltados à remoção dos restos do naufrágio. Segundo comunicado divulgado pela universidade, o objetivo principal é aprofundar o canal de acesso ao complexo portuário que atende às cidades de Itajaí e Navegantes, promovendo maior segurança e eficiência nas operações marítimas.
De acordo com o superintendente do Porto de Itajaí, Artur Antunes Pereira, a iniciativa visa estruturar os procedimentos técnicos necessários para uma operação de remoção que há anos é discutida pelas autoridades portuárias. Ele destacou que a retirada do navio Pallas é fundamental para ampliar a capacidade de manobra das embarcações na área e permitir a entrada de navios de maior porte, o que é essencial para o desenvolvimento do comércio marítimo na região.
O custo estimado para a operação está fixado em aproximadamente R$ 310 mil, e uma equipe de especialistas terá um prazo de dois meses para apresentar os resultados dos estudos. Os destroços foram descobertos em 2017, após investigações que revelaram que o navio se partiu ao meio, com estruturas metálicas e de madeira espalhadas pelo fundo do rio. Estudos anteriores, realizados por levantamentos subaquáticos, indicaram que o Pallas afundou após colidir com pedras submersas, durante um período de instabilidade política no Brasil.
A pesquisa atual buscará definir as melhores estratégias para a retirada segura dos restos do navio, levando em consideração a preservação do patrimônio histórico. Para isso, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a Marinha do Brasil irão definir o destino final dos destroços após sua remoção, garantindo a preservação do valor histórico do naufrágio.
Construído em 1891 na Inglaterra e pertencente à Companhia Frigorífica Fluminense, o navio Pallas tinha como função transportar cargas e passageiros entre o Rio de Janeiro e Buenos Aires, com escalas em Itajaí. Na época, a embarcação era considerada moderna e inovadora. O naufrágio ocorreu em 1893, na entrada da barra do rio Itajaí-Açu, possivelmente devido à Revolta da Armada, movimento liderado por setores da Marinha brasileira contra o governo do marechal Floriano Peixoto. Durante o incidente, a embarcação foi saqueada, e ao passar pelo canal do rio, chocou-se com pedras submersas, provocando seu afundamento. A operação de remoção, além de melhorar a navegabilidade, busca preservar a história do navio, que permanece como um marco importante na história marítima da região.








