O Museu de História Natural de Londres, uma das principais instituições de pesquisa e exibição científica do Reino Unido, anunciará a reabertura de uma galeria que permaneceu fechada ao público desde 1943, durante o período da Segunda Guerra Mundial. A partir de 16 de setembro, o espaço, localizado no segundo andar do edifício principal Waterhouse, será aberto com a exposição intitulada “Nature and Us” (“Natureza e Nós”), que apresentará uma seleção de 50 objetos e espécimes com o objetivo de explorar a relação entre os seres humanos e o meio natural ao longo do tempo.
A nova exposição propõe uma reflexão sobre essa conexão, reunindo peças que variam de itens históricos a objetos científicos e do cotidiano. Entre as peças destacadas estão um modelo em miniatura de um dinossauro proveniente do Crystal Palace, que representa como a vida pré-histórica era imaginada no passado; Jenny, um esqueleto vitoriano de uma foca-monge que evidencia a exploração de animais para entretenimento na história; e um brinquedo de Star Wars da década de 1980, coberto por briozoários, pequenos animais aquáticos que vivem em colônias e podem se fixar em diferentes superfícies. Outro destaque é um machado de mão de aproximadamente 400 mil anos de idade, que evidencia a longa história da relação humana com ferramentas e a natureza.
A mostra também terá uma abordagem interativa, permitindo que os visitantes participem de experiências que ilustram essa conexão. Um exemplo é a réplica da mandíbula de um dos primeiros cães domesticados na Grã-Bretanha, com cerca de 14.300 anos, que oferece uma oportunidade de observar de perto uma evidência da convivência entre humanos e animais ao longo da história. Essa peça busca ilustrar a longa trajetória de domesticação e convivência entre espécies.
A exposição, que terá duração prevista de 18 meses, faz parte de uma etapa preparatória para a futura galeria permanente, prevista para ser inaugurada em 2029. Durante esse período, o público poderá contribuir com opiniões e sugestões, ajudando a definir os temas, objetos e histórias que serão priorizados na instalação definitiva. Essa participação visa garantir que o espaço reflita de forma mais abrangente e representativa a relação entre humanidade e natureza.
Histórico do espaço e contexto da reabertura
Originalmente, a galeria funcionava como uma sala de osteologia, dedicada à exibição de esqueletos, além de atuar como uma galeria de mamíferos. Durante a Segunda Guerra Mundial, o herbário do Museu foi danificado, o que levou à adaptação do espaço para receber coleções botânicas. Como consequência, a sala deixou de operar como uma área de acesso ao público, permanecendo fechada por mais de oito décadas. Ainda assim, os armários de madeira originais do herbário permanecem no ambiente, preservando marcas do uso anterior como espaço de armazenamento e pesquisa.
A reabertura dessa galeria representa um momento simbólico e de renovação para o Museu de História Natural, conforme afirma Doug Gurr, diretor da instituição. Em comunicado oficial, ele destacou a importância de permitir que os visitantes tenham acesso a esse espaço histórico, explorando a relação em constante transformação entre humanos e o mundo natural após mais de 80 anos de fechamento.
Projeto de renovação e expansão
A reabertura faz parte do projeto NHM150, uma iniciativa de transformação do Museu em South Kensington que prevê a inauguração de novas galerias ou a revitalização de espaços existentes a cada ano até 2031. O objetivo principal dessa estratégia é ampliar o acesso às coleções científicas, promover o conhecimento e envolver diferentes públicos, incluindo mais de 1 milhão de visitantes anuais e 10 milhões de crianças em idade escolar, famílias e outros grupos.
A iniciativa também inclui a continuidade de projetos como a galeria “Fixing Our Broken Planet” (“Consertando Nosso Planeta Quebrado”), inaugurada em 2025, que já recebeu cerca de 3 milhões de visitantes. Essas ações fazem parte de uma estratégia de longo prazo para fortalecer o papel do Museu como centro de pesquisa, educação e preservação do patrimônio natural, além de promover maior engajamento público com temas ambientais e científicos.







