A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) divulgou que a recente sequência de vazamentos na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) está relacionada às condições climáticas de temperaturas mais baixas e às particularidades da infraestrutura de abastecimento de água na região. Segundo a empresa, o frio intenso favorece a retração térmica dos materiais utilizados nas tubulações, tornando-os mais rígidos e, consequentemente, mais suscetíveis a trincas e fissuras. Além disso, a redução do consumo de água durante os dias de temperaturas mais baixas provoca um aumento na pressão interna da rede, o que pode sobrecarregar pontos de menor resistência estrutural, contribuindo para os vazamentos.
A Copasa explicou que, após uma série de ocorrências que resultaram em interrupções no abastecimento em diferentes áreas da Grande Belo Horizonte, ela não associa esses eventos a um aumento no volume de vazamentos ou à transição de privatização da companhia. A empresa reforçou que o volume de vazamentos e o número de adutoras afetadas permanecem dentro dos padrões considerados normais para o período, quando comparados aos anos anteriores. Os indicadores de ocorrências por quilômetro de rede também continuam alinhados com os históricos operacionais, o que indica que os problemas atuais não representam uma anormalidade em relação ao funcionamento habitual da infraestrutura.
A explicação técnica fornecida pela Copasa destaca que a retração térmica ocorre devido ao impacto das baixas temperaturas sobre os materiais utilizados nas tubulações, que podem ficar mais rígidos e, assim, mais propensos a trincas. Essa condição, somada à redução do consumo de água durante os dias mais frios, aumenta a pressão interna na rede de distribuição. Como consequência, pontos de menor resistência podem sofrer danos, levando a vazamentos visíveis, como pequenos furos que, sob pressão, projetam água a grandes alturas, embora esses vazamentos não indiquem necessariamente rompimentos completos ou colapsos na rede.
A companhia também ressaltou a escala de sua operação, que envolve mais de 65 milhões de metros de redes subterrâneas em Minas Gerais, incluindo aproximadamente 20 milhões de metros de tubulações na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Muitos desses trechos possuem mais de 60 anos de uso, o que contribui para a vulnerabilidade da infraestrutura. Além disso, o relevo irregular da região, com diferenças de até 400 metros de altitude entre pontos diversos do sistema de abastecimento, representa um desafio adicional. Essa topografia exige bombeamento constante para regiões elevadas e um controle rigoroso de pressão em áreas mais baixas, fatores que podem influenciar na ocorrência de vazamentos.
A Copasa destacou ainda que alguns vazamentos recentes chamaram atenção pelo impacto visual, como a projeção de água a grandes alturas devido a pequenos furos em tubulações sob pressão normal. No entanto, a empresa afirmou que esses incidentes não representam um colapso total do sistema ou uma falha estrutural de grande escala. A companhia reforçou seu compromisso em monitorar e manter sua extensa rede de distribuição, buscando minimizar os impactos e garantir o abastecimento de água à população mesmo em condições adversas.









