Um cortiço de três andares desabou na noite de quinta-feira (5/11), no bairro Nazaré, na região Nordeste de Belo Horizonte, poucas horas depois de a área receber um alerta de risco geológico forte da Defesa Civil. O colapso deixou 32 pessoas desabrigadas, mas não houve registro de feridos. O imóvel já apresentava sinais de instabilidade e continuou cedendo durante a madrugada desta sexta-feira (6/11).
O desabamento aconteceu por volta das 22h, depois que um temporal atingiu a capital mineira durante a tarde. Moradores relataram ter escutado estalos na construção antes de a estrutura ruir. Esse tipo de barulho é considerado um dos sinais de possível comprometimento de um imóvel, especialmente em períodos de chuva intensa, quando o solo fica mais saturado e pode aumentar a pressão sobre fundações, muros e paredes.
Segundo a Defesa Civil de Belo Horizonte, o imóvel funcionava como um cortiço construído de forma irregular ao longo do tempo. Após o primeiro desabamento, partes da estrutura voltaram a ceder durante a madrugada. A continuidade dos danos impediu que os moradores retornassem ao local e manteve as equipes de atendimento em estado de atenção.
Alerta alcança seis regionais da capital
A região Nordeste não é a única de Belo Horizonte incluída no alerta de risco geológico forte. A medida também abrange as regionais Venda Nova, Norte, Pampulha, Noroeste e Oeste. Ao todo, seis das regionais da capital estão sob a classificação estabelecida pela Defesa Civil.
O aviso foi emitido em razão dos volumes de chuva registrados nas últimas horas e da previsão de novas precipitações. A vigência se estende até a próxima segunda-feira (9/11). Durante esse período, a recomendação é que os moradores observem as condições do terreno e fiquem atentos a mudanças que possam indicar instabilidade em imóveis ou estruturas próximas.
Entre os sinais que exigem atenção estão novos estalos, surgimento de sinais construtivos e alterações que indiquem comprometimento da edificação. A Defesa Civil também orienta a população a observar situações como quedas de muros, deslizamentos de terra e desabamentos, que podem ser agravadas pela continuidade das chuvas e pela saturação do solo.
Famílias foram levadas para abrigo
Depois do colapso, os moradores foram retirados do cortiço e encaminhados para um abrigo disponibilizado pela Prefeitura de Belo Horizonte. Entre as pessoas que deixaram o imóvel estavam duas grávidas. As informações iniciais apontam que 32 moradores ficaram desabrigados em decorrência do desabamento.
A ocorrência mobilizou equipes da Defesa Civil, do Corpo de Bombeiros, da BHTrans e da Polícia Militar. Os órgãos acompanharam tanto a situação da estrutura, que permanecia instável, quanto o atendimento prestado às pessoas afetadas.
O caso ocorreu em uma região que já estava sob alerta de risco geológico forte. Os estalos percebidos antes da queda reforçam a necessidade de atenção aos sinais de instabilidade durante temporais. A orientação da Defesa Civil permanece válida para as seis regionais incluídas no aviso até segunda-feira (9/11).
Com imagens de Raíssa Oliveira/O TEMPO.








