O desabamento de duas casas na noite de quinta-feira (5/11) obrigou 32 pessoas a deixarem suas moradias no bairro Nazaré, na região Nordeste de Belo Horizonte. As estruturas ruíram por volta das 22h, depois que os moradores perceberam sinais de instabilidade durante a chuva que atingiu a capital ao longo da tarde. Ninguém ficou ferido, já que todos conseguiram sair dos imóveis antes do colapso total.
Segundo os relatos obtidos no local, os primeiros indícios de risco foram os estalos ouvidos nas construções enquanto chovia. Diante da possibilidade de desabamento, as famílias deixaram as casas preventivamente. Após algum tempo, parte dos moradores chegou a retornar aos imóveis, mas voltou a sair depois de notar novos ruídos na estrutura. Pouco depois, as construções cederam.
As casas estavam vazias no momento em que ocorreu o desabamento. Um dos moradores relatou, sem se identificar, que preparava comida quando ouviu os primeiros estalos, por volta das 22h. De acordo com ele, a saída foi feita pela janela. O imóvel em que morava era alugado por R$ 500 mensais.
O local era composto por diversos barracões e ambientes construídos de forma interligada. Conforme outro morador, o proprietário teria levantado vários “puxadinhos” no terreno para alugá-los. O dono também viveria na área, mas atualmente estaria instalado no terraço, descrito pelos moradores como uma espécie de espaço de acumulação.
Entre as 32 pessoas retiradas do endereço estão duas mulheres grávidas. Uma delas estava com um recém-nascido. Diante da impossibilidade de permanência no local, todos os moradores foram encaminhados pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) para um abrigo municipal.
Imóveis foram interditados após vistoria
A Defesa Civil de Belo Horizonte realizou uma inspeção no endereço nesta sexta-feira, depois do desabamento parcial da edificação formada pelos barracões interligados. Em nota, o órgão informou que os materiais deslocados atingiram tanto a calçada quanto a via pública, o que aumentou o risco para pessoas que circulavam pela região e para os veículos.
A avaliação confirmou a ausência de vítimas, mas apontou a necessidade de retirada preventiva dos moradores. Ao todo, as 32 pessoas pertencem a aproximadamente 11 grupos familiares. Elas foram encaminhadas ao Abrigo Tia Branca, situado na Rua Além Paraíba, no bairro Bonfim.
Durante a vistoria, a Defesa Civil identificou condições de risco nos imóveis e nos barracões atingidos. Por essa razão, as construções foram interditadas e o entorno foi isolado. O proprietário foi notificado e recebeu orientações sobre os problemas encontrados, além das medidas de segurança que precisam ser adotadas.
De acordo com o órgão municipal, a responsabilidade por reduzir os riscos, recuperar a área e preservar a segurança da edificação e do entorno é do proprietário. A Defesa Civil também esclareceu que uma possível demolição deverá ser avaliada pelo responsável, que terá de definir quais intervenções são necessárias para evitar novos riscos.
Se a demolição for escolhida como alternativa, o proprietário deverá cumprir as exigências previstas na legislação vigente e seguir as normas estabelecidas pela Prefeitura de Belo Horizonte. Até que as providências sejam tomadas, os imóveis permanecem interditados e a área, isolada.








