Uma família de Caeté, na região metropolitana de Belo Horizonte, está mobilizada na tentativa de localizar Matheus Barbosa, de 29 anos, que desapareceu após se alistar para participar da guerra na Ucrânia. O entregador de gás, motivado por uma oferta financeira, viajou ao país europeu no dia 19 de julho, após inscrever-se em uma página no Instagram de recrutamento. Desde então, a família não tem mais contato com ele e suspeita que possa ter sido vítima de um golpe.
Matheus, que tinha seis filhos pequenos e uma esposa grávida de oito meses, foi atraído pela promessa de um pagamento superior a 50 mil dólares, aproximadamente R$ 260 mil na cotação atual, valor que pretendia usar para adquirir uma casa e proporcionar uma vida melhor para sua família. Segundo relatos, ele assinou um contrato de seis meses de serviço, com transporte, passaporte e visto providenciados por uma suposta empresa de recrutamento. Após a viagem, ele chegou a compartilhar algumas mensagens e fotos, mas logo começou a solicitar ajuda financeira, alegando dificuldades para comprar comida.
A situação se agravou quando, a partir de 19 de setembro, a família perdeu contato com Matheus. As tentativas de comunicação, incluindo ligações e mensagens, não tiveram sucesso. No dia 30 de outubro, a esposa do entregador, Tamiris Stephanie Rosa, conseguiu acessar a conta de Matheus no Instagram e encontrou mensagens nas quais ele pedia ajuda para retornar do conflito, relatando problemas com o salário e indicando que desejava romper o contrato. Essas mensagens contrastavam com as que ele enviava anteriormente, nas quais tranquilizava a família de que estava bem.
A irmã de Matheus, Aline Flaviana, relata que a família tem reunido informações limitadas para entender o que ocorreu, já que nenhuma delas é de fontes oficiais ou de autoridades responsáveis pelo recrutamento. Uma ligação de uma mulher, identificada como esposa de um soldado que supostamente estaria com Matheus na Ucrânia, confirmou que o entregador foi ferido e morreu durante o combate, supostamente atingido por estilhaços de drone. Essa informação levou a família a intensificar as buscas, incluindo contato com uma conta no Instagram que alegava ter conexão com soldados na missão.
Segundo a irmã, a conta indicou que Matheus foi atingido por estilhaços de drone e não resistiu aos ferimentos. A família também tentou contato com o recrutador, que possui um número de telefone com o prefixo 22, do Rio de Janeiro, mas não obteve resposta. O recrutador afirmou que a operação militar está em andamento e que, por questões de segurança, não pode fornecer informações sobre os envolvidos ou o paradeiro do brasileiro, orientando a família a procurar o Ministério da Defesa da Ucrânia.
Diante da ausência de respostas oficiais, a família procurou o Ministério das Relações Exteriores, que confirmou estar apurando o caso junto às autoridades locais. A irmã de Matheus expressa a angústia de não saber se o irmão está vivo ou morto, e afirma que o desejo é trazer o corpo para um sepultamento digno, caso ele tenha falecido. Tamiris, esposa de Matheus, relata que a esperança de que ele retornasse ainda no Natal é uma das poucas forças que sustentam a família, especialmente pelos dois filhos mais velhos, que choram pela ausência do pai e esperam por seu retorno com presentes de fim de ano.
A situação de Matheus evidencia os riscos e as possíveis fraudes envolvidas em recrutamentos não oficiais para conflitos internacionais, além de refletir a vulnerabilidade de pessoas em situação econômica difícil. A família permanece na expectativa de esclarecimentos e de uma resposta oficial que possa esclarecer o destino do entregador de gás, enquanto busca medidas para obter informações e, se possível, o retorno de Matheus ao Brasil.









