O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) determinou nesta sexta-feira, 4 de novembro, a abertura de um procedimento interno para apurar possíveis citações ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, em mensagens que integram as investigações da Polícia Federal sobre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A iniciativa ocorre após uma representação apresentada por parlamentares do partido Novo, que alegam a existência de mensagens que envolvem o chefe da PGR ou membros de seu núcleo familiar, relacionadas a contatos e até a um convite para um evento no exterior destinado a um familiar de Gonet.
A abertura do procedimento pelo CSMPF ocorre no contexto de uma investigação que envolve suspeitas de conexões entre Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e figuras de destaque do Poder Judiciário e do Ministério Público. Os deputados do partido Novo argumentam que, embora não haja denúncia de prática criminosa por parte de Gonet, há uma questão institucional relevante que demanda análise regulamentar, sobretudo diante de mensagens que indicam interlocuções de interesse para a investigação.
O procedimento interno foi instaurado após a Polícia Federal divulgar um relatório que aponta uma suposta relação entre o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, e Daniel Vorcaro. Segundo o documento, há indícios de contatos entre o ex-banqueiro e Moraes, além de ligações com Paulo Gonet e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Essas informações foram tornadas públicas na última terça-feira, 1º de novembro, pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal.
As mensagens obtidas pela Polícia Federal, extraídas do celular de Vorcaro, revelam que o ex-banqueiro teria buscado auxílio de Moraes para obter informações e tentar impedir ações que afetavam o Banco Master. Entre as informações divulgadas, destaca-se a suposta tentativa de Moraes de acessar e alterar uma minuta de contrato de prestação de serviços jurídicos entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes. O contrato, que previa honorários de R$ 131 milhões, foi alvo de investigações, e a suposta intervenção de Moraes na minuta tem sido alvo de questionamentos no âmbito das apurações.
Até o momento, a Procuradoria-Geral da República (PGR) não se manifestou oficialmente sobre o procedimento instaurado pelo CSMPF nem sobre as investigações em andamento. Os prazos para que Gonet apresente sua defesa são de até dez dias, a contar da notificação oficial, segundo o procedimento interno.
Este episódio evidencia a complexidade das investigações envolvendo figuras de altos escalões do Judiciário e do Ministério Público, além de acender o debate sobre possíveis conflitos de interesses e a integridade das instituições. A apuração busca esclarecer se as mensagens e contatos revelados representam alguma irregularidade ou se tratam de questões de natureza institucional que requerem análise aprofundada sob o aspecto regulamentar.








