O percentual de famílias brasileiras com dívidas a vencer recuou de 81,7% para 81,6% entre setembro e outubro, segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgada nesta quinta-feira (5/11). Essa foi a segunda queda mensal consecutiva do indicador, que, apesar da retração, continua acima do nível registrado no mesmo mês do ano passado.
Em outubro de 2025, 79,5% das famílias declaravam possuir algum tipo de dívida. Com isso, o resultado atual representa uma alta de 2,1 pontos percentuais na comparação anual. O índice de 81,6% também repete os patamares observados em maio e junho deste ano.
O indicador de endividamento considera as famílias que informaram ter compromissos financeiros a vencer. Entre as modalidades incluídas no levantamento estão dívidas no cartão de crédito, cheque especial, carnês de lojas, crédito consignado, empréstimos pessoais e cheques pré-datados. Também entram na apuração as prestações relacionadas à aquisição de carros e imóveis.
A redução registrada em outubro foi de 0,1 ponto percentual em relação ao mês anterior. Em setembro, o indicador já havia apresentado uma queda, dando início à sequência de duas retrações mensais. Mesmo com o movimento recente, o percentual permanece em nível elevado: mais de oito em cada dez famílias brasileiras afirmaram ter algum compromisso financeiro ainda não quitado.
Percentual de famílias inadimplentes também diminui
A CNC identificou ainda uma redução na parcela de famílias com contas ou dívidas atrasadas. O índice caiu de 29,6% em setembro para 29,3% em outubro, o equivalente a uma retração de 0,3 ponto percentual.
Com a queda, a inadimplência retornou ao mesmo nível registrado em janeiro deste ano. O resultado indica uma redução simultânea em dois indicadores: no número de famílias que possuem dívidas a vencer e na proporção de consumidores que não conseguiram cumprir os pagamentos dentro do prazo estabelecido.
Embora o endividamento registre uma alta na comparação com outubro de 2025, a evolução dos últimos dois meses mostra uma interrupção momentânea do avanço mensal observado anteriormente. A retração, no entanto, não altera o cenário geral apontado pela pesquisa, que ainda revela uma concentração elevada de compromissos financeiros entre as famílias.
Faixa de cinco a dez salários mínimos registra alta
O levantamento apontou crescimento do endividamento apenas entre as famílias com renda mensal de cinco a dez salários mínimos. Essa foi a faixa que apresentou a maior variação no período, embora o conteúdo divulgado pela pesquisa não informe o percentual específico desse aumento.
Nas demais faixas de renda, não houve crescimento do indicador. Dessa forma, a queda geral registrada em outubro refletiu o recuo observado entre outros grupos de rendimento, que compensou a elevação identificada entre as famílias que recebem de cinco a dez salários mínimos.
Resultado ocorre após lançamento do Desenrola 2.0
A nova retração foi registrada meses depois do lançamento do programa Novo Desenrola Brasil, conhecido também como Desenrola 2.0. A iniciativa do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi lançada em 4 de maio deste ano com o objetivo de reduzir o endividamento recorde da população.
Mesmo após duas quedas mensais consecutivas, o índice de outubro permanece 2,1 pontos percentuais acima do resultado de um ano antes. Os dados da CNC mostram, portanto, uma melhora pontual no curto prazo, mas também a manutenção de um nível elevado de endividamento entre as famílias brasileiras.








