O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu, nesta quinta-feira (5/11), integrantes do governo, antigos ministros da Fazenda, economistas e aliados no Palácio da Alvorada para tratar dos rumos da política fiscal após as eleições. O encontro teve como eixo central o ajuste das contas públicas e ocorreu em um momento de pressão para que o governo apresente maior clareza sobre a condução da economia, a possibilidade de contenção de despesas e os próximos passos da equipe responsável pela área.
A reunião teve início por volta das 12h e concentrou representantes de diferentes setores da administração federal. Participaram o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior. Também estiveram presentes Bruno Moretti, ministro do Planejamento e Orçamento, e Esther Dweck, ministra da Gestão e Inovação.
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloízio Mercadante, foi outro nome convocado para a conversa. A presença de autoridades ligadas à Fazenda, ao Planejamento, à Casa Civil, à gestão pública e ao banco de fomento indicou a busca por uma avaliação conjunta sobre a formulação, o monitoramento e a execução das medidas econômicas e orçamentárias.
Além dos integrantes do atual governo, Lula convidou dois ex-ministros da Fazenda: Fernando Haddad e Guido Mantega. O encontro também contou com os economistas Luciano Coutinho, que já presidiu o BNDES, Laura Carvalho e Eduardo Moreira. A composição reuniu, portanto, integrantes da estrutura econômica em vigor, ex-ocupantes de cargos estratégicos e especialistas de diferentes trajetórias.
A realização da reunião havia sido antecipada pelo Metrópoles, em informação publicada na coluna de Matheus Leitão. O encontro ocorre enquanto aumenta a cobrança por uma definição sobre a política fiscal e sobre a necessidade de eventuais mudanças na equipe econômica. Também está em discussão a possibilidade de redução de despesas para adequar o planejamento do governo à situação das contas públicas.
Manutenção da Selic amplia debate sobre o equilíbrio fiscal
A conversa no Palácio da Alvorada aconteceu um dia depois de o Comitê de Política Monetária (Copom) interromper o ciclo de reduções da taxa básica de juros. O colegiado decidiu manter a Selic em 13,75%, decisão que acrescentou pressão sobre a condução da política econômica do governo Lula 4.
Até o momento descrito, o governo ainda não havia anunciado mudanças na equipe econômica nem formalizado medidas específicas de corte de gastos. Nesse cenário, a decisão do Copom reforçou a importância de sinais sobre a trajetória das contas públicas e sobre a forma como o Executivo pretende dialogar com o mercado e com o Congresso Nacional.
Congresso analisa Orçamento do próximo ano
O Congresso Nacional já iniciou a análise do Orçamento do próximo ano e aguarda uma indicação do governo sobre como compatibilizar as contas públicas com os pacotes de bondades anunciados por Lula durante a campanha pela reeleição. O desafio envolve conciliar as medidas prometidas com o planejamento orçamentário e, ao mesmo tempo, preservar o equilíbrio fiscal.
Além de buscar uma convergência entre os participantes, a reunião ocorreu antes do pronunciamento oficial de Lula previsto para este domingo (7/11). A expectativa é que as discussões ajudem a estabelecer o tom da fala presidencial sobre a área fiscal. Conforme as informações disponíveis, o discurso deverá abordar a situação das contas públicas e também tratar dos gastos destinados a programas sociais.









